Zack Snyder faz de 'Rebel Moon' seu épico espacial

Roteiro caótico de ‘Rebel Moon’ faz esquecer visual admirável

Zack Snyder faz de 'Rebel Moon' seu épico espacial
Charlie Hunnam, Michiel Huisman, Sofia Boutella, Staz Nair e Djimon Hounsou em cena de Rebel Moon (Netflix)

O cineasta Zack Snyder desperdiçou a oportunidade da vida. Ele vende Rebel Moon como o grande projeto que sempre quis fazer. Pensado como um spin-off de Star Wars, o filme foi recusado pela Disney após a compra dos direitos da saga de George Lucas. Talvez já tivessem previsto o que viria.

O diretor de Liga da Justiça ficou livre para criar uma história nova de batalhas intergalácticas. Mas o talento de montar visuais incríveis não salva o texto e o roteiro caóticos, de um longa que deveria ter sido feito para o cinema, mas já entra na Netflix nesta sexta, 22.

Esse, porém, pode ser um erro positivo para Snyder. Na exibição em celulares, computadores e TVs, o CGI (imagens geradas por computadores) o filme pode passar batido. E olha que os piores exemplos são justamente quando as naves aparecem no espaço. É como se ficassem descoladas do fundo. E feitas de resina.

O efeito é inaceitável em 2023. Especialmente quando a referência principal é Star Wars. Foram US$ 166 milhões investidos nas duas partes de Rebel Moon.

O filme começa até bem, com uma aura meio O Senhor dos Anéis tanto no cenário campestre quanto na trilha e nos efeitos sonoros - os grandes atrativos da película. Mas aí os personagens abrem a boca e o que jorra são frases feitas.

E o clichê não fica restrito às palavras. Depois de apresentar com uma beleza absurda os primeiros personagens, chega a nave dos vilões e a forma de mostrar isso não poderia ser mais batida Sabe aquela cena em que alguém chega de carro, abre a porta e a câmera vai gradativamente fechando de planos abertos até chegar a um close-up no pé do intérprete? Mais repetido impossível, certo? Só que aqui o pezinho é o trem de pouso da nave. De rolar os olhos.

 

Cópia

Outro problema são as evidentes tentativas de homenagem a filmes do gênero, desde ficção científica, passando pela fantasia até aventura. A cena da taberna, por exemplo, não aterrissa como inspiração na de Star Wars, soa como cópia mesmo. Pior ainda acontece quando os mocinhos chegam a um planeta desconhecido e, de repente, assistem a uma luta meio sem cabimento com uma enorme aranha - tal qual como Laracna ou Aragogue. Este, definitivamente, é o ponto mais baixo do roteiro errático.

Sofia Boutella, como Kora, e o intérprete do vilão, Ed Skrein, entregam muito, principalmente nas cenas de ação. E ele é a encarnação do mal, como o impiedoso Almirante Atticus Noble. Um primor. No que, aliás, é outro ás do projeto: o elenco bem escalado.

Infelizmente, os tecnológicos cenários, que parecem conter apenas crepúsculos, e a boa vontade dos atores não compensam a narrativa irregular. E com a parte dois já prevista para 19 de abril de 2024, nem dá tempo de corrigir os erros.

Vale para um sábado à tarde, sem mais nada para fazer, com uma pipoquinha com bacon e coquinha gelada. Mas só.

 

Veja o trailer: