Polícia apura mais uma denúncia de racismo em Passos

Durante evento da Igreja Batista, motorista diz que foi chamado de “macaco” por um homem que alegou perturbação do sossego

Polícia apura mais uma denúncia de racismo em Passos
Ocorrência foi registrada no Jardim da Harmonia, em espaço residencial alugado para eventos (Divulgação)

A Polícia Civil em Passos abriu um inquérito para apurar uma suposta denúncia de crime de injúria racial, intolerância religiosa e perturbação de sossego, que teriam acontecido após uma festa religiosa no último sábado, 17, promovida pela Igreja Batista ‘Só Cristo Salva’. O evento aconteceu na rua Guanabara, no bairro Jardim Harmonia, em um espaço residencial que é alugado aos finais de semana para eventos.

 

Segundo informações da Polícia Civil, o motorista Reinaldo Reis Morais, conhecido por Diguinho, de 49 anos, acusa um homem de 38 anos de cometer injúria racial e intolerância religiosa durante a festa religiosa. Já o homem acusado alega que foi vítima do crime de perturbação ao sossego, em razão do excesso de ruído oriundo do evento festivo.

 

De acordo com as investigações, os dois homens entraram em conflito após alegarem a prática dos crimes no local.

 

Segundo informações do Diguinho, quando o pastor estava fazendo os agradecimentos finais para finalizar o evento do encontro de casais, um homem bateu no portão com violência e começou a proferir palavras de baixo calão, ofendendo, inclusive as pessoas que estavam ali perto. “Um membro da igreja chegou a passar mal e prestamos os primeiros socorros ali mesmo, mas muita gente ficou apavorada”, disse Diguinho.

 

“Eu saí do local e ele já estava na porta da casa dele, onde xingou minha esposa de vagabunda e eu de macaco”, afirmou Diguinho.

 

“Quando ele me chamou de macaco eu disse que ia na polícia, momento em que ele mesmo ligou para a Polícia Militar alegando que o lugar tem hora para começar e terminar a festa”.

 

De acordo com Diguinho, a festa já estava no final e qualquer pessoa poderia perguntar ao vizinho do quarteirão inteiro se houve perturbação. “Não houve perturbação. Houve intolerância religiosa e injúria racial por causa da cor da minha pele”, disse.

 

A Polícia Civil deve apurar os fatos apresentados. Se comprovada a perturbação ao sossego poderá o local ter o alvará de funcionamento cassado, além de o responsável ser punido conforme a Lei das Contravenções Penais. Por outro lado, se comprovada a injúria racial, o suspeito poderá responder na forma da Lei de Racismo, que recentemente foi alterada, conferindo maior rigor à punição, inclusive considerado como crime imprescritível.