Vazão da hidrelétrica de Furnas é reduzida por causa do baixo nível do reservatório
Turismo e outras atividades econômicas já sentem impactos da seca em 34 municípios da região
Devido à falta de chuvas, a vazão máxima média mensal do reservatório de Furnas, para produção de energia, foi reduzida para 500 metros cúbicos por segundo, por determinação da Agência Nacional de Águas.
A medida foi necessária uma vez que, mesmo no período chuvoso, o volume útil da represa não tem ultrapassado os 32%, o que configura "Faixa de Atenção". Dessa forma, uma resolução da ANA estabelece a diminuição do uso da água na produção de energia para minimizar impactos para outras atividades econômicas que dependem da lagoa.
A região de Furnas, que reúne 34 municípios banhados pelo lago, é, inclusive, uma das mais procuradas por turistas no período de férias de janeiro. Porém, quem visita a região já percebe campos e bancos de areia formados pela parte seca do lago, que está com a cota de 757 metros atualmente. Esse índice é bem abaixo dos 762 metros considerados como volume mínimo adequado conforme a Alago (Associação dos Municípios do Lago de Furnas).
O presidente da entidade e prefeito de Capitólio, Cristiano Silva, afirma que o turismo e outras atividades econômicas ligadas à represa já sentem os impactos da falta de chuvas.
"Atrapalha muito o turismo pelo fato da represa estar baixa e fica mais complicado tanto para as marinas quanto para quem trabalha com as lanchas. A redução da água não impacta tanto a navegabilidade, mas traz um impacto muito grande para o turismo, uma imagem muito negativa para o turismo da região. E além da questão do turismo, a gente tem a pecuária, a agricultura, a piscicultura, essa última é impactada demais pelo sobe e desce do lago de Furnas. Então, acaba trazendo impactos financeiros e atrapalha muito a economia de todo toda a região do Lago de Furnas", disse.
Uma das medidas defendidas pela Alago e prefeitos é a aprovação pelo Congresso Nacional do projeto de lei que estabelece a Região Turística Mar de Minas como Área Especial de Interesse Turístico. A medida, que deve ser pautada após o recesso legislativo, prevê a elevação do nível mínimo de operação de 750 para 762 metros, garantindo o uso múltiplo das águas e a sustentabilidade econômica e ambiental da região.
Em nota, o ONS, Operador Nacional do Sistema Elétrico, disse que devido ao volume útil de 32,5% do reservatório de Furnas, não há medidas em andamento para ampliar a geração nessa usina. Os montantes de geração programados são definidos considerando a disponibilidade, os custos e os atributos de cada fonte, sempre respeitando os limites de defluência estabelecidos pela Agência Nacional de Águas e as particularidades regionais declaradas.
Já o Ministério de Minas e Energia, disse que liberou R$ 180 milhões para obras e projetos de saneamento básico para a preservação das águas da região e recuperação de áreas degradadas, além de nascentes. Uma das obras previstas para 2026 é a construção do Dique de Campo do Meio, que prevê a manutenção do nível da represa de Furnas alto, mesmo em tempos de seca.





