Transparência, não basta cumprir a lei, tem que falar verdade
O Diário Não Oficial da Política
Entre o que a lei manda publicar e o que o gestor deveria explicar, existe um abismo chamado falta de respeito
Transparência é dever, não escolha
Transparência na administração pública não é favor, nem estratégia de comunicação. É obrigação. Existe a transparência legal, prevista nas normas que exigem publicidade dos atos. Mas existe também a transparência moral, que é ainda mais importante. Ela nasce da consciência de que o gestor deve explicações permanentes ao seu verdadeiro patrão, que é a população.
Quem governa sem essa consciência pode cumprir formalidades, mas não governa com respeito.
Cumprir a lei é o mínimo
Publicar dados em portais oficiais e relatórios técnicos não encerra o dever de transparência. Muitas vezes, essas informações são apresentadas em linguagem inacessível à maioria da população. Transparência real exige esforço ativo do gestor em traduzir, explicar e tornar compreensível aquilo que está sendo feito. A população precisa entender o que está acontecendo, quais decisões estão sendo tomadas e quais critérios estão sendo utilizados. Sem isso, o que existe é apenas aparência de transparência.
Comunicação também é obrigação de governo
A transparência se manifesta também na forma como o gestor se comunica. Entrevistas, falas públicas e posicionamentos precisam ser claros, verdadeiros e coerentes com a realidade. Quando o comportamento do prefeito se resume a gritaria, encenação, atitudes grotescas em vídeos, como saltos exagerados, brincadeiras inadequadas ou simulações constrangedoras, o que se vê não é comunicação institucional. É desrespeito com a população.
Publicidade não substitui transparência
Durante todo o mandato, houve a tentativa de substituir transparência por propaganda. O chamado creden$iamento da imprensa, amplamente questionado do ponto de vista legal, resultou na maior gastança com publicidade da história de Passos.
Na prática, recursos públicos foram utilizados para construir uma imagem favorável do governo. Mas propaganda não muda a realidade. E não responde às perguntas que a população faz, como por exemplo os moradores da Rua Niterói, que ontem viram as máquinas de pavimentação abandonando a obra no meio do caminho, sem maiores explicações.
A realidade das ruas fala mais alto
Enquanto o discurso oficial tenta vender eficiência, a cidade apresenta um cenário completamente diferente. Ruas esburacadas, lixo acumulado por toda parte, presença de ratos e baratas, obras paralisadas e contratos prorrogados indefinidamente formam um retrato claro da situação. A distância entre a fala e a realidade é enorme. E essa distância é um sinal da falta de transparência.
Saúde em crise e ausência de explicações
O sistema de saúde de Passos é considerado por muitos o pior de sua história. A população enfrenta dificuldades diárias, demora no atendimento e falta de estrutura. Mesmo diante desse cenário, não há explicações claras sobre os critérios adotados, as prioridades estabelecidas e as medidas concretas para resolver o problema. Governar exige explicar. E explicar com verdade.
Educação, contradições e escolhas questionáveis
O episódio recente do prefeito mostrando uma pilha enorme de ovos de Páscoa revela muito sobre as prioridades adotadas. O prefeito aparece orgulhoso exibindo grandes quantidades de chocolates como se isso representasse uma conquista relevante.
Ao mesmo tempo, a cidade registra queda nos índices educacionais de aprendizado.
Opta-se por uniformes mais caros, materiais acima da média e aquisição de equipamentos como computadores, que têm sua importância, mas que podem não ser a melhor escolha diante da necessidade urgente de melhorar o aprendizado das crianças.
Quando surgem problemas, as explicações não se sustentam. O atraso na entrega de uniformes foi inicialmente atribuído pelo prefeito a um roubo dos caminhões. Em seguida, surgiu a versão da Secretária de Educação, desmentindo o prefeito e falando em três acidentes consecutivos desses caminhões, sem qualquer comprovação apresentada. A população aguarda documentos que confirmem essas versões. Até lá, a dúvida permanece, orque nesse caso o raio caiu 3 vezes no mesmo lugar. Como se não bastasse, a própria secretária de educação afirmou que a queda no desempenho dos alunos ocorreu porque a secretaria não repassou corretamente as informações ao MEC, o que é uma falha administrativa grave, que precisa ser explicada com seriedade.
Perguntas sem resposta
A falta de transparência fica ainda mais evidente diante de questões objetivas que seguem sem qualquer esclarecimento:
· Qual é a real situação do britador?
· Onde está e em que condições se encontra a chamada supercaminhonete?
· A demissão de Nenê da Manoela tem relação com a auditoria do meio ambiente e qual foi a conclusão dessa auditoria?
· Quais critérios justificaram as prorrogações de contratos de pavimentação e recapeamento?
· Por que o hospital veterinário está paralisado? Por acaso o local é inadequado?
· Onde está o processo administrativo disciplinar envolvendo vereador que também é servidor?
· Qual a justificativa para a isenção de IPTU concedida a outro vereador?
· Houve ressarcimento ao erário nos casos dos contratos irregulares já reconhecidos
· Por que recursos milionários foram destinados à ADESC sem chamamento público e qual o fundamento legal para contratar assim?
· Por que o Teatro Rotary foi abandonado pela prefeitura permitindo ocupação sem transparência de um espaço público?
Perguntas claras, diretas e legítimas. O silêncio é a resposta que mais preocupa.
Dizer que está resolvido não resolve
A afirmação recente da Secretária de Obras na Câmara Municipal de que o problema da coleta de lixo estaria solucionado não encontra respaldo na realidade. A cidade continua suja e imunda, com mato e lixo espalhado, mau cheiro e proliferação de pragas. Informar algo que não corresponde aos fatos também é falta de transparência. E talvez seja uma das mais graves.
Nota Final - O fim de um ciclo e a expectativa de mudança
Passos vive o esgotamento de uma fase marcada por vaidade, loteamento político da máquina pública e decisões questionáveis. Chegou-se ao ponto de contratar até vereador de Bom Jesus da Penha para atuar aqui, em um movimento que soa mais como articulação eleitoral do que gestão pública. Um vexame!
A expectativa agora é clara. O futuro prefeito Maurício deverá conduzir a cidade com dedicação integral, seriedade, sobriedade e austeridade. A população espera o fim dessa fase narcisista do poder e o início de um novo tempo, com responsabilidade administrativa, respeito ao dinheiro público e foco real nas necessidades da cidade. E quando essa correção vier, contará, sem dúvida, com o aplauso verdadeiro, e não remunerado, de todos os passenses.







