Tilápia aparece meio de avenida após córrego transbordar com chuva

Peixe apareceu numa das principais avenidas da cidade de Franca depois que o Córrego Cubatão transbordou na terça-feira

Jan 15, 2026 - 12:45
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Tilápia aparece meio de avenida após córrego transbordar com chuva
Rafael Ferreira de Souza encontrou tilápia na Avenida Ismael Alonso y Alonso após chuva em Franca (Foto: Arquivo pessoal)

Uma cena inusitada chamou a atenção de moradores e viralizou nas redes sociais em Franca: uma tilápia de cerca de 40 centímetros e 1,5 quilo foi encontrada se debatendo no asfalto de uma das principais avenidas da cidade, após uma forte pancada de chuva que causou o transbordamento de um córrego local. O episódio, ocorrido na terça-feira (13), destacou os impactos das chuvas intensas na região e levantou discussões sobre a qualidade das águas urbanas.

O morador Rafael Ferreira de Souza, de 31 anos, foi quem flagrou o peixe na Avenida Ismael Alonso y Alonso, próximo a uma concessionária de veículos. Segundo relatos, a chuva registrou um acumulado de 87,8 milímetros em poucas horas – o maior volume do dia em todo o estado de São Paulo, conforme dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O Córrego dos Bagres (ou Cubatão, conforme variações nos relatos) transbordou rapidamente, invadindo a via e forçando motoristas a desviar para a contramão para evitar a enxurrada.

"Percebemos que o tempo estava mudando, estava bem calor. Veio uma pancada muito forte e o nível do córrego começou a subir de forma rápida. Chega a assustar, a gente já conhece o histórico de alagamentos de Franca", contou Souza ao portal Sampi.net.br.

Ele, que trabalha em uma loja próxima e pratica pescaria como hobby, inicialmente duvidou da história quando vizinhos o alertaram. "Achei que fosse brincadeira. Fui lá conferir e, de fato, era uma tilápia de mais ou menos uns 40 centímetros, em torno de 1,5kg. Um belo exemplar, que a gente não encontra nem em pesque-pague", relatou ao G1.

Vídeos gravados por moradores e compartilhados nas redes mostram a água invadindo avenidas como Hélio Palermo, Adhemar de Barros e Antônio Barbosa Filho, afetando lojas e veículos estacionados, incluindo motos. Apesar do susto, não houve registro de feridos ou danos graves em estabelecimentos, como a loja onde Souza trabalha. O peixe, ainda vivo mas machucado pela força da correnteza e pelo atrito com o asfalto, foi resgatado por Souza, que tentou devolvê-lo ao córrego. No entanto, a tilápia não resistiu e acabou sendo levada por amigos de um comércio vizinho para consumo.

O caso ganhou repercussão online, com internautas questionando a veracidade da história – alguns até sugeriram o uso de inteligência artificial. Souza rebateu as dúvidas: "É real a história, não é I.A. Tem muita gente perguntando se é Inteligência Artificial, mas o peixe realmente veio. É espetacular." Em tom bem-humorado, ele brincou com amigos: "Pescar em rio e represa é coisa de gente fraca. Nós gostamos de pescar é na avenida mesmo, no asfalto."

Especialistas consultados explicam que a tilápia, uma espécie exótica e resistente, provavelmente foi arrastada de reservatórios da região, como o do Castelinho ou represas particulares. O engenheiro agrônomo e zootecnista Célio Bertelli, vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Sapucaí-Mirim/Grande, destacou ao Sampi.net.br que a presença de peixes no córrego é um sinal positivo de melhoria na qualidade da água. "Antigamente, essa água era classificada como nível 4 (a pior possível). Hoje, graças ao desvio de esgotos e tratamento feito pela Sabesp e Cetesb, ela já está na classe 3, caminhando para a 2. Se tem peixe vivendo, é sinal que a água está melhorando."

No entanto, Bertelli alertou para os riscos de consumo sem análise prévia. "No passado, caíam ali resíduos de curtumes com metais pesados, como cromo e chumbo. Embora hoje a situação seja controlada, esses metais podem estar sedimentados e o peixe, por ser resistente, absorve isso. Nós, humanos, não somos resistentes a metais pesados", explicou, mencionando também possíveis parasitas internos e externos.

 

Redação Redação