Tecnologia existe. Falta gestão

O Diário Não Oficial da Política

Mar 10, 2026 - 05:58
Mar 9, 2026 - 20:29
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Tecnologia existe. Falta gestão
Nos municípios onde foi implantado, o sistema permite, entre outras coisas, marcar consultas na atenção básica (Foto: Reprodução

Propostas apresentadas por Frank Dias Ferreira mostram que o SUS Digital pode ajudar a organizar o atendimento, desde que haja administração capaz de utilizar as ferramentas disponíveis.

 

A missão do OBSERVO

A missão do OBSERVO, e consequentemente do Diário Não Oficial da Política que é sua parte integrante, é a de ser guardião da imprensa livre e não patrocinada com recursos públicos e muito menos participante do contestado judicialmente credenciamento para publicidade e divulgação.

O compromisso editorial também inclui a recusa em participar daquilo que o próprio site já definiu como "cota parte da maior despesa com publicidade jamais vista na história de Passos".

Essa posição não significa apenas denunciar problemas. Também significa abrir espaço para ideias, propostas e contribuições que possam ajudar a cidade a sair da estagnação administrativa que a população conhece tão bem.

 

Uma contribuição da sociedade

Dentro desse espírito, o Diário apresenta hoje o trabalho do cidadão passense Frank Dias Ferreira, engenheiro que há anos publica análises e propostas voltadas para gestão urbana, sustentabilidade e políticas públicas.  Frank foi aprovado em dois concursos públicos, mas afirma nunca ter sido aproveitado pela administração local. Nos últimos anos tem encaminhado denúncias e relatórios técnicos ao Ministério Público de Minas Gerais sobre problemas da cidade, muitos deles sem retorno há mais de seis anos.

Seu trabalho já recebeu reconhecimento da imprensa em projetos ligados à limpeza urbana, coleta seletiva, desenvolvimento urbano sustentável e melhorias na drenagem pluvial de Passos. Atuou também por três anos junto à Superintendência Regional de Saúde de Passos, colaborou na estruturação da cooperativa de catadores CooCares antes de sua municipalização e cadastrado como auxiliar de justiça  no Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

 

O SUS Digital que muitos ainda não conhecem

Em artigo publicado em seu site (leia aqui), Frank chama a atenção para uma ferramenta pouco discutida nas cidades do interior: o SUS Digital. Segundo ele, os municípios brasileiros aderiram ao programa federal, que utiliza o aplicativo Meu SUS Digital para permitir que o cidadão acompanhe sua própria vida clínica, visualize exames, histórico de vacinação e informações de atendimento.

O sistema também permite marcar consultas na atenção básica, receber lembretes para evitar faltas e acompanhar dados de saúde da família diretamente pelo celular.

Na avaliação do engenheiro, a grande questão não é apenas a existência da tecnologia, mas a ausência de programas municipais de orientação para a população utilizar essas ferramentas.

 

CPF passa a ser o número do SUS

Outra mudança destacada é a integração do Cartão Nacional de Saúde ao CPF do cidadão.

O objetivo da medida é unificar registros médicos e evitar duplicidade de cadastros, permitindo que o histórico de consultas, exames e vacinas fique disponível de forma integrada em qualquer unidade de saúde do país.

Com isso, a gestão pública também passa a ter dados mais confiáveis para planejar políticas de saúde e organizar filas de atendimento.

 

Tecnologia para reduzir filas

O SUS Digital também está integrado ao programa federal Agora Tem Especialistas, que pretende reduzir o tempo de espera por consultas especializadas.

Entre as ferramentas previstas estão teleconsultas, teleatendimento, unidades móveis de saúde e integração de dados clínicos para facilitar encaminhamentos entre unidades.

Na visão de Frank, muitas dessas soluções já existem, mas ainda são pouco utilizadas por falta de informação e capacitação dos usuários.

 

Quando a sociedade apresenta caminhos

A publicação dessas ideias reforça um ponto importante.

A crítica política não pode existir apenas para denunciar erros. Ela também deve abrir espaço para propostas que possam melhorar serviços públicos que hoje se encontram em situação crítica, especialmente na saúde.

 

Expectativa e responsabilidade

A cidade vive hoje um momento de expectativa política evidente. A população observa com atenção os próximos passos do futuro prefeito Maurício Antônio da Silva, na esperança de que a nova administração rompa com o ciclo de acomodação, lentidão administrativa e baixa capacidade de entrega que marcou o governo de Diego Oliveira, cuja data  renúncia  para dia 31 de março parece sofrer alterações dos bastidores para dia 22.

Passos não precisa de marketing político permanente nem de governança baseada em vídeos circenses bem editados para redes sociais. Precisa de gestão séria, planejamento, respeito ao dinheiro público e capacidade de transformar promessas em resultados concretos.

A população espera um governo com mais decisões, mais trabalho e mais responsabilidade administrativa. Um governo que tenha coragem de enfrentar problemas estruturais, ouvir contribuições da sociedade e abandonar a política da aparência que tanto custou à cidade nos últimos anos e que saiba ouvir e utilizar boas ideias como a do engenheiro Frank que apresentamos hoje.