Saiu antes da conta chegar
O Diário Não Oficial da Política
A saída de Diego escancara, entre aplausos ensaiados e discursos ufanistas, o caos administrativo, dificuldades financeiras pela frente e a descrença popular.
Festa ensaiada, discurso vazio
A Câmara Municipal de Passos vestiu-se de gala para aquele que seria o grande ato político do dia 31: a renúncia de Diego Oliveira e a posse do novo prefeito, Maurício Antônio de Souza. Diferente do que se viu ao longo de todo o governo que se encerra, houve planejamento para a solenidade. Já o discurso do agora ex-prefeito seguiu o padrão conhecido: autoelogios, ufanismo desconectado da realidade e nenhuma autocrítica. Não houve uma única palavra sobre o caos da limpeza urbana, a falência histórica da saúde pública ou os inúmeros atropelos administrativos. Preferiu sustentar a narrativa fantasiosa de que, ele Diego, teria sido um marco fundador da cidade, ignorando completamente a história e aqueles que realmente construíram Passos. Um encerramento arrogante, melancólico, sem grandeza e sem verdade.
Profissão de fé na continuidade do caos e entrevista com bons acenos
O discurso do novo prefeito Maurício Antônio de Souza soou mais como uma profissão de fé do que como um plano de ruptura. Sinalizou, com todas as letras, que a tragédia administrativa do segundo mandato anterior tende a continuar. Mesmo assim o novo prefeito em entrevista apresentou a intenção de mudar os rumos da gestão Diego Oliveira, tomando atitudes que não aconteciam entre elas a prorização da Saúde e das estradas Rurais e a decisão de transferir a coleta de lixo para o SAAE. A proposta até pode parecer bem-intencionada, mas carrega riscos graves, especialmente o de comprometer uma autarquia financeiramente estruturada com receitas próprias que não foram concebidas para custear esse tipo de serviço. Uma alternativa mais prudente seria a criação de uma autarquia específica, com receita própria. Mas há um problema urgente: a cidade não pode esperar. O cenário exige uma solução emergencial imediata, com contratação emergencial de empresa robusta, capaz de enfrentar o colapso da limpeza urbana, que já ultrapassou o limite do tolerável e se tornou questão de saúde pública. Para confirmar suas boas intenções, que tal cancelar o volume indecoroso de despesas com publicidade?
Chuva não é desculpa, ou é desculpa mal-informada
Mas mesmo antes da posse, o novo prefeito já cometia deslizes: Em entrevista a veículos generosamente abastecidos com verba pública, o novo prefeito tentou justificar as péssimas condições das estradas rurais alegando que as chuvas recentes teriam sido as piores da década. A realidade, no entanto, desmente categoricamente essa afirmação. Dados históricos mostram que 2022 foi o ano mais chuvoso, com cerca de 1.640 mm, enquanto 2020 foi o mais seco. Já o primeiro trimestre de 2026 registrou 580 mm, absolutamente dentro da média histórica. Ou seja, não houve nenhum evento climático extraordinário que justificasse o abandono das estradas. O problema não é o clima, é a gestão e Maurício precisa se afastar do "cestro" de seu antecessor de manipular dados e informações e até mesmo mentir para mostrar uma realidade que não existe e que provocou a gigantesca rejeição popular que todos percebem.
A realidade em números (para não restar dúvida)
Projeto pessoal de Poder
A renúncia de Diego traz consigo aquilo que a população começa a rejeitar com firmeza: o uso do mandato como projeto pessoal de Poder. Ele pediu votos, assumiu compromissos e jamais deixou
claro que poderia abandonar o cargo antes da metade do mandato para disputar outro. Passos não foi prioridade. Foi etapa. Enquanto isso, a cidade mergulha em abandono, com serviços colapsando e a população enfrentando, diariamente, os efeitos de uma gestão incapaz de responder ao básico.
A frase que desmente a realidade
Em entrevista recente, o agora ex-prefeito afirmou que “ninguém fez tanto por Passos quanto ele”. A declaração, feita sob visível nervosismo, não revela confiança, mas desconexão. A população já não compra mais narrativas embaladas por mídia sustentada com recursos públicos e mais que isso, o passense conhece sua história e não vai admitir que nossos heróis, Homens e Mulheres que com seu trabalho deixaram seu legado na construção do que Passos é hoje. Que o Dr Diego saiba que passará para a história como o prefeito brincalhão e que deixou a seu sucessor uma cidade destroçada. A realidade vivida nas ruas desmente qualquer tentativa de reconstrução artificial da imagem de um governo que termina sob forte rejeição popular.
O Observador não perdoa
Nosso atento, experiente e já temido Observador da cena política de Passos esteve presente à solenidade e, como sempre, fez aquilo que todos esperavam: observou de verdade. Logo na chegada, chamou sua atenção o perfil da plateia. Nada de grande mobilização popular. O ambiente, no mais tradicional estilo "sucupiriano", era composto majoritariamente por servidores municipais “convidados”, garantindo volume, mas não necessariamente entusiasmo.
Nos bastidores, o Observador também registrou ausências que falam alto, como a do ex-secretário de Cultura Denílson. Em política, quem não aparece, muitas vezes grita mais do que quem está no palco. Mas o olhar clínico do Observador foi além e se voltou para o cenário regional. Estiveram presentes três prefeitos: o de Cássia, apoiador da deputada estadual Amanda Teixeira, o de São João Batista do Glória e o de Ilicínea. À primeira vista, presença institucional. Na leitura política mais refinada, um sinal de alerta. Se o Prefeito costuma dizer que valoriza e prioriza apoio de vereadores, o cerimonial da Câmara não registrou sequer um vereador de outras cidades no evento, que adiciona uma camada ainda mais interessante ao tabuleiro. A ausência de outras lideranças regionais de peso reforça a impressão de isolamento político fora dos limites do município, fator determinante para qualquer pretensão eleitoral mais ambiciosa.
E, claro, o Observador não poderia deixar passar o momento quase teatral do presidente da Câmara. Aquele que antes era conhecido pelo vocabulário áspero que usava para discursar contra o prefeito, surgiu em versão emocionada, voz embargada e elogios generosos. Segundo o “making off” captado pelo nosso Observador, o abraço no ex-prefeito foi tão efusivo que por pouco não ganhou contornos ainda mais íntimos.
Conclusão do Observador: mais do que uma solenidade de transição, o evento revelou, nas entrelinhas, um cenário de fragilidade política e isolamento regional que discurso nenhum consegue esconder.
NOTA FINAL
O episódio entra para a história de Passos como um dos mais simbólicos exemplos de distorção da política. Um prefeito que sai com cerimônia, aplausos ensaiados e discursos artificiais, mas deixa a cidade pela porta dos fundos, mergulhada em problemas estruturais graves, abandono administrativo e descrença popular. Diego deixa confirmação de um modelo de gestão baseado em projeto pessoal, vídeos circenses enjoativos, sustentado por narrativa e desconectado da realidade. Passos não precisa de heróis de ocasião nem de gestores que enxergam o cargo como degrau. Precisa de compromisso, verdade e responsabilidade. O que se viu no dia 31 foi um retrato claro do tipo de política que a população começa, finalmente, a rejeitar.





