Querem ganhar sem o povo, barrando Cleitinho
O Diário Não Oficial da Política
Políticos matreiros tentam ganhar nos bastidores o que o povo manifesta nas pesquisas
Zema antecipa a sucessão e nacionaliza Minas
O quadro político mineiro em março de 2026 é marcado pela antecipação da sucessão estadual e pela tentativa de projeção nacional do governador Romeu Zema, que lançou sua pré-candidatura à Presidência da República, embora ainda muito pouco pontuada nas pesquisas. Ao nacionalizar sua imagem, Zema transforma Minas Gerais em peça-chave da eleição presidencial e condiciona a disputa estadual a interesses que extrapolam o debate local.
Cleitinho dispara e desorganiza o tabuleiro
O senador Cleitinho Azevedo lidera com ampla vantagem as pesquisas de intenção de voto, alcançando patamares próximos de 40 por cento. Nenhum adversário consegue se aproximar desses números. O favoritismo precoce desloca o centro da disputa e provoca reações fora do campo eleitoral.
O medo não é das urnas, é do eleitor
Nos bastidores, cresce o temor em relação à candidatura de Cleitinho, inclusive entre setores da esquerda. Incapazes de reduzir sua aprovação popular, adversários passaram a buscar alternativas para inviabilizar sua candidatura fora do voto, transferindo o embate para o campo partidário e institucional.
Pressão sobre o Republicanos vira estratégia
Nesse contexto, ganha relevância a pressão exercida sobre o deputado Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos, que já declarou que Cleitinho será o candidato do partido. A movimentação busca bloquear internamente o patrocínio partidário à candidatura de Cleitinho. A lógica é direta: já que o eleitor não cedeu, tenta-se restringir a candidatura no âmbito das cúpulas partidárias.
PL vira fiel da balança em Minas
O PL tornou-se peça central da sucessão mineira. Qualquer definição do partido impacta diretamente o primeiro turno e a formação do segundo, o que faz da legenda um alvo permanente de pressões e articulações nacionais. Nikolas Ferreira aparece como nome muito forte nas pesquisas espontâneas, mas a tendência é disputar a reeleição para deputado federal, garantindo ao PL votação expressiva em escala de milhões e a manutenção de uma bancada robusta.
A PEC da blindagem expõe fissuras
O afastamento entre Nikolas Ferreira e Cleitinho Azevedo se intensificou durante a tramitação da chamada PEC da blindagem, que ampliava proteções parlamentares contra prisões e medidas cautelares. Cleitinho posicionou-se publicamente contra a proposta, defendendo que privilégios afastam a classe política da população. Nikolas votou favoravelmente, alinhado à maioria da bancada do PL. A postura crítica de Cleitinho gerou desconforto entre aliados de Nikolas, que avaliaram que o discurso do senador ampliava o desgaste do deputado em Minas. Embora ambos neguem conflito pessoal, interlocutores admitem ruídos políticos e institucionais entre Republicanos e PL, ficando à mostra pela ausência de Cleitinho à manifestação organizada por Nikolas no último domingo dia 01/03.
Bases do PL preferem Cleitinho
Apesar das discussões na cúpula, bases do PL e até parlamentares confidenciam nos bastidores sua preferência por apoiar Cleitinho. A avaliação é pragmática: liderança consolidada nas pesquisas, identificação com o eleitor bolsonarista e menor risco eleitoral para a legenda. Pesa ainda o fato de Cleitinho já ter se manifestado publicamente que apoiará o senador Flávio Bolsonaro à disputa presidencial
Lula atua para afastar o PL do favorito
Nos bastidores nacionais, comenta-se que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito gestões junto a Valdemar Costa Neto com o objetivo de distanciar o PL da candidatura de Cleitinho. A articulação teria como pano de fundo a tentativa de viabilizar uma alternativa eleitoral em Minas. Hoje Lula joga na forma que mais condenou de ser a raposa política que tenta criar artifícios para desrespeitar e manipular a opinião pública.
Simões tem apoio formal, mas não empolga
O vice-governador Mateus Simões conta com apoio explícito de Zema e aposta na construção de alianças partidárias para compensar sua baixa visibilidade. Seu desempenho permanece restrito a um dígito nas pesquisas. Filiado ao PSD, partido presidido nacionalmente por Gilberto Kassab, busca atrair o PL e enfraquecer Cleitinho, apostando em acordos de cúpula como motor da viabilização eleitoral.
Perfil de Simões gera resistência silenciosa
Além dos números baixos, pesa contra Simões a percepção, difundida nos meios políticos, de um perfil autoritário e arrogante. Os entreveros com a deputada Lud Falcão, figura muito respeitada, e com seu marido Luiz Eduardo Falcão, presidente da AMM, deixaram marcas. Para muitos, esse estilo não dialoga com a tradição política mineira, marcada pela moderação e pela escuta e ainda que as decisões de cúpula o favoreçam, Simões jamais conseguirá atrair as bases liberais.
O dilema eterno de Rodrigo Pacheco
O senador Rodrigo Pacheco segue indefinido quanto à candidatura e à filiação partidária. A hesitação prolongada gera desconforto no eleitorado, que tende a valorizar políticos firmes e decididos. Pacheco foi eleito senador no ambiente de forte sentimento antipetista, impulsionado pelos votos contrários ao PT e à ex-presidente Dilma Rousseff, tendo inclusive votado pelo impeachment. A possibilidade de se tornar candidato apoiado por Lula soa artificial para muitos eleitores e gera desconfiança inclusive em setores da própria esquerda, que veem fragilidade nessa construção política.
Kalil lidera a oposição declarada
No campo oposicionista, Alexandre Kalil é o principal nome já lançado. Seus números permanecem distantes do líder da disputa e sua viabilidade depende da construção de um palanque nacional competitivo para Lula em Minas Gerais. Entretanto, fatos pregressos distanciam Kalil do PT e o temperamento explosivo e por vezes imprudente, limitam o seu crescimento nas pesquisas
Nota final
O cenário mineiro revela um choque claro entre a vontade do eleitor e a tentativa de controle da disputa por meio de arranjos partidários e articulações nacionais. Quando lideranças passam a discutir como bloquear candidaturas bem posicionadas, em vez de enfrentá-las nas urnas, a democracia se fragiliza. Por outro lado o eleitor gosta de políticos decididos e dispostos a enfrentar desafios, diferente do senador Rodrigo Pacheco, cuja indecisão crônica lembra aquele jogador medroso que nunca arrisca e “só joga na bola da vez”. A tradição de Minas não combina com hesitação e fraqueza e muito menos com autoritarismo, indecisão ideológica nem projetos fabricados em gabinete. A história mostra que o eleitor mineiro observa em silêncio, mas responde com firmeza na urna. Em 2026, esse recado pode voltar a ser dado.







