Quando denunciar vira risco
O Diário Não Oficial da Política
Clima de perseguição e possíveis irregularidades levantam dúvidas que exigem explicação urgente
Perseguição institucionalizada
Nos bastidores da Prefeitura, cresce a percepção de que apontar irregularidades deixou de ser dever para se tornar risco. Servidores relatam um ambiente onde questionamentos são recebidos com hostilidade, abrindo espaço para práticas de pressão e até perseguição. O episódio envolvendo o ex-servidor e psicólogo Cleber segue sem o devido esclarecimento, reforçando a sensação de que problemas sérios acabam sendo abafados, muitas vezes com tentativas de inverter responsabilidades. Outro ponto que não foi bem esclarecido se refere ao movimento de servidores da Fazenda que teria sido o estopim para que a Prefeitura perdesse seu melhor secretário
Medo e silêncio
A repercussão do que se denuncia no Diário é sempre imediata. A redação é procurada por dezenas de pessoas, todas trazendo informações, relatos e questionamentos. O dado mais preocupante não é apenas o conteúdo, mas o medo generalizado. Há receio de retaliação, o que ajuda a explicar por que tantas situações permanecem restritas aos bastidores.
Rotina de pressão
Entre os relatos, um padrão se repete, especialmente na SEDESE: cobranças fora do expediente, mensagens constantes e exigência de disponibilidade permanente. O uso de aplicativos de mensagem como ferramenta de gestão tem ultrapassado limites razoáveis, invadindo o tempo pessoal dos servidores. O resultado é um ambiente de desgaste contínuo, que compromete não apenas a saúde dos trabalhadores, mas também a qualidade do serviço público.
Assédio e desinformação
As denúncias apontam para práticas que vão além da má gestão. Há relatos de deboche, disseminação de inverdades e tentativas de desqualificar servidores. Especialistas classificam esse tipo de conduta como assédio moral organizacional. Em alguns casos, há ainda indícios de manipulação de informações para confundir e enfraquecer quem está na linha de frente do trabalho.
Água para alguns
Mas o Diário não vai se calar e quer, quem sabe, nesse novo governo, que medidas sejam tomadas para sanear alguns pontos da Administração que precisam ser melhor observados e fiscalizados, como é o caso de nossa poderosa autarquia, o SAAE. Segundo denúncias, ali imperam o mandonismo e privilégios como por exemplo em uma das situações mais delicadas envolvendo o possível direcionamento de caminhões-pipa por vários dias para um bairro de alto padrão, enquanto moradores de regiões vizinhas, de menor renda, enfrentavam falta de abastecimento. Havendo registros e relatos consistentes, a pergunta é inevitável: quais critérios orientaram essa decisão? Quem autorizou? E houve orientação para manter discrição e sigilo sobre o fato?
Falha na obra
A obra da estação elevatória também entrou no radar das dúvidas após nossa denúncia no Tijolaço anterior. Informações indicam a existência de desnível entre a chegada da tubulação de esgoto e a estrutura instalada. Se confirmado, trata-se de erro técnico relevante. A população aguarda esclarecimentos sobre a origem do problema e se houve necessidade de nova contratação para corrigir a situação e qual o valor dessa despesa de correção e quem arcará com ala mesma?
Inauguração questionada
Outro ponto levantado diz respeito ao laboratório inaugurado no mesmo dia da inauguração da elevatória. Há relatos de que o laboratório não estaria pronto para funcionar o que em geral define o momento da inauguração, mas não estaria completamente equipado ou mobiliado no momento da entrega. Caso isso se confirme, levanta-se a suspeita de uso da estrutura pública para fins de promoção política do ex-prefeito Diego Oliveira agora ré candidato a deputado, o que exige explicações claras.
Viagem e despesas
Também corre à boca pequena na “rádio corredor” que ano passado uma numerosa comitiva do SAAE viajou por conta da autarquia em evento realizado no paraíso hídrico de Caldas Novas, quando o diretor do SAAE Passos tomou posse na ASSEMAE. Surgem questionamentos sobre os custos da viagem, os nomes dos participantes e os critérios para o pagamento das despesas. Há dúvidas inclusive sobre a concessão de diárias a acompanhantes. Diante de valores altíssimos do total gasto que circulam nos bastidores, a transparência é fundamental.
Nota final
Não se trata aqui de condenar previamente ninguém, mas de reconhecer um fato evidente: quando a informação não circula de forma transparente, ela corre pelos bastidores e quase sempre de forma ainda mais grave. O que hoje chega como dúvida amanhã pode se confirmar como problema real, justamente pela ausência de respostas. É preciso dizer com todas as letras que o ambiente de medo não protege a administração, apenas protege possíveis irregularidades. Quem tenta calar servidor, intimidar denúncia ou transformar questionamento em afronta não está defendendo o interesse público, está fugindo dele. Por isso, o Diário reafirma seu compromisso. Este espaço não é tribunal, mas também não será cúmplice do silêncio. Tudo o que foi levantado aqui merece esclarecimento, e as autoridades citadas têm o dever de vir a público explicar, ponto a ponto, cada situação.
E à população, especialmente aos servidores que convivem diariamente com esses fatos, fica um recado direto: denunciem. A Constituição garante o sigilo da fonte, e ele será respeitado com rigor absoluto. Nenhuma informação será tratada com leviandade, mas nenhuma será ignorada por conveniência.
O Diário não se coloca como dono da verdade, mas também não aceita a imposição da mentira como regra. Se há explicações, que venham. Se há equívocos, que sejam corrigidos. Mas se há irregularidades, que sejam expostas. Porque pior do que errar na gestão é tentar esconder o erro, e pior do que uma denúncia é o silêncio de quem deveria responder.





