Projeto 'Raízes de Passos' homenageia a educadora Francina de Andrade
A cada edição (quinzenal) são apresentadas cinco curiosidades sobre um personagem histórico de Passos
O Instituto Motirõ de Passos lançou, nesta quarta-feira (25 de fevereiro de 2026), o 14º episódio do projeto “Raízes de Passos: preservando memórias e histórias”, publicado nas redes sociais Instagram e TikTok. A nova edição destaca a trajetória da educadora Francina de Andrade, conhecida pela comunidade como Dona França, considerada uma das figuras mais marcantes da história da educação no município.
Idealizado por Márcio Francisco de Carvalho e Betânia da Silva Marques, o projeto tem periodicidade quinzenal e apresenta, a cada edição, cinco curiosidades sobre personagens históricos de Passos, além de um resumo biográfico. No episódio mais recente, a narração dos fatos é feita pela filósofa Betânia Marques, que conduz o público por momentos importantes da vida e da atuação de Dona França.
LEGADO NA EDUCAÇÃO
Entre os destaques do episódio, está a dedicação de Francina de Andrade à educação por mais de cinco décadas. Professora e posteriormente diretora do Grupo Escolar Dr. Wenceslau Braz — instituição que atualmente leva seu nome — ela atuou diretamente na formação de gerações de estudantes passenses.
Dona França era conhecida por seu envolvimento pessoal com os alunos e suas famílias. Visitava residências para compreender dificuldades enfrentadas pelos estudantes, acompanhava de perto a frequência escolar e, em muitos casos, financiava com recursos próprios aulas de reforço para aqueles que apresentavam dificuldades de aprendizagem. Sua postura firme e disciplinadora também ficou marcada na memória de ex-alunos e da comunidade escolar.
Outro aspecto marcante de sua trajetória foi o luto permanente pelo noivo, falecido dois meses antes do casamento, em 1926. A partir desse episódio, Dona França passou a vestir-se de preto por toda a vida, um símbolo pessoal que se tornou parte de sua identidade.
TRAJETÓRIA DE VIDA
Francina de Andrade nasceu em Passos em 3 de junho de 1903. Filha de Aureliano Inácio de Andrade e Tomázia da Silveira Machado de Andrade, viveu a infância na zona rural e residiu por mais de 80 anos na Rua Presidente Antônio Carlos. Estudou em São Sebastião do Paraíso, onde concluiu sua formação como professora.
Iniciou sua carreira em 1921 no Grupo Escolar Dr. Wenceslau Braz, onde lecionou até 1927, quando passou a atuar como auxiliar de direção. Em 1956 assumiu a direção da escola, função que exerceu até 1972, quando se aposentou, após 51 anos de dedicação à educação. Dona França faleceu em Passos no dia 31 de maio de 2003.
MEMÓRIA E IDENTIDADE CULTURAL
Para a filósofa Betânia Marques, o projeto “Raízes de Passos” tem papel fundamental na valorização da identidade local. “Ao conhecer as histórias de personagens da cidade, a comunidade passa a se reconhecer nessas narrativas, fortalecendo o sentimento de pertencimento, orgulho e identidade cultural passense”, destaca.
O historiador Márcio Carvalho ressalta que a iniciativa busca dar visibilidade a homens e mulheres que, muitas vezes, ficaram fora dos registros oficiais, mas tiveram papel essencial na formação social, cultural, econômica e política de Passos. “Ao dar voz a esses personagens, preservamos memórias que poderiam se perder com o tempo”, afirma.
Além do “Raízes de Passos”, os idealizadores mantêm outros nove projetos abertos ao público, desenvolvidos com recursos próprios, todos voltados à valorização da memória e da cultura local..
O episódio sobre Dona França já está disponível nas redes sociais do Instituto Motirõ (veja aqui) e integra a série de conteúdos que seguem resgatando e valorizando a história de Passos.







