Planejamento, gestão e fiscalização não dependem de estiagem
O Diário Não Oficial da Política
Depois de um inverno sem planejamento e sem preparar a cidade para as chuvas, Diego tenta explicar o caos, culpando as chuvas.
Estiagem milagrosa
Em entrevista da semana que passou, conduzida com a habitual complacência do entrevistador ‘credenciado’ de plantão, o Excelentíssimo Senhos Doutor Prefeito Diego Rodrigo de Oliveira, resolveu inovar na tese administrativa. Segundo Sua Excelência, com o fim das chuvas todos os problemas estariam resolvidos e, portanto, “os contra” teriam perdido o palanque. A declaração, além de infantil, revela um perigoso descolamento da realidade vivida pela população.
A saúde que não anda
Enquanto o prefeito comemora a estiagem como solução mágica para todos os males administrativos, a população continua enfrentando um sistema de saúde que coleciona filas intermináveis e espera de anos para exames, consultas especializadas e cirurgias. Faltam medicamentos na farmácia municipal, as unidades de saúde seguem sem gestão eficiente e a UPA permanece como um local de sofrimento e espera.
Visitas que não acontecem
Outra denúncia que chega ao Diário diz respeito às equipes de Estratégia de Saúde da Família. O que deveria ser um dos pilares da atenção básica, a visita domiciliar aos pacientes, simplesmente deixou de ocorrer em muitas regiões. Quando a prevenção desaparece, o resultado inevitável é o agravamento da crise.
O destino do São Lucas
A situação do prédio do antigo Hospital São Lucas voltou ao centro das atenções depois de denúncia publicada pelo OBSERVO (leia aqui), que mostra o estado de abandono da unidade e até veículos amontoados no interior do imóvel, transformando o espaço em uma espécie de depósito improvisado. O prédio, localizado em área valorizada da cidade e que já foi referência no atendimento à população, hoje apresenta sinais evidentes de deterioração e descaso. Nos bastidores da administração municipal, circula a informação de que o esvaziamento do prédio pode fazer parte de uma estratégia para viabilizar a venda do imóvel, em um negócio estimado em cerca de R$ 12 milhões, com o objetivo de financiar a construção do futuro centro administrativo da prefeitura.
Do pronto-socorro ao ferro-velho
O que mais impressiona é a transformação de um espaço que já foi referência em saúde pública em um verdadeiro depósito de veículos abandonados. Segundo a denúncia que circula nas redes sociais e foi repercutida pelo OBSERVO, o interior da unidade apresenta infiltrações, acúmulo de entulho e falta de conservação, quadro que moradores classificam como abandono prolongado. A prefeitura ainda não apresentou explicações oficiais sobre o estado do imóvel nem sobre os planos para o futuro da unidade.
Olha o observador de volta!
O nosso destemido Observador da cena política passense apareceu para lembrar que a cidade continua imunda e com lixo espalhado por todos os lados. Se houve uma preocupação em beneficiar o centro, como sempre, a população do bairro continua sofrendo com amontoados de lixo na chuva e sol, proliferando pernilongos, mosquitos, baratas e animais peçonhentos. Para o inclemente Observador, Diego pode voltar a comemorar recordes nos índices de infestação do mosquito da dengue e de incidência da doença. Quem sabe não se fantasia de mosquito de novo na vã esperança de recuperar a popularidade perdida?
Obras que não terminam
Outro símbolo da atual administração são as obras paralisadas. Não faltam exemplos espalhados pela cidade. Em muitos casos, a paralisação ocorre por deficiência no planejamento, falhas nos projetos ou ausência de fiscalização adequada. Uma obra pública começa no papel, e quando esse processo é mal conduzido o resultado aparece no canteiro abandonado.
Planejamento não é detalhe
A boa gestão pública exige projeto técnico consistente, licitação que considere a capacidade real das empresas e fiscalização permanente. Quando esses elementos falham, surgem os aditivos, os atrasos e, por fim, o abandono das obras. Planejar não é burocracia; é a única forma de proteger o dinheiro do contribuinte.
Quando a empresa some
A legislação atual prevê caminhos claros quando uma empresa abandona uma obra. O gestor deve notificar, instaurar processo administrativo, aplicar sanções, rescindir o contrato e convocar remanescentes ou realizar nova contratação para conclusão do serviço. A omissão diante dessas situações pode gerar graves consequências administrativas e financeiras.
Chuva como desculpa
Em Passos, algumas obras foram interrompidas pelas chuvas, como nos casos da Rua Niterói, Otto Krakauer e Vila São José. O problema é que intervenções desse tipo poderiam ter sido planejadas para períodos mais adequados do calendário climático. Quando o planejamento inexiste, qualquer chuva vira justificativa.
Promessas em série
O atual governo também se notabilizou por anúncios grandiosos que raramente se concretizam. Hospital veterinário, pavimentação de toda a cidade, nova sede administrativa, bebedouros pela cidade, britador, soluções milagrosas para estradas rurais como o Garapão e muitas outras.
Estradas rurais abandonadas
No plenário da Câmara, ainda ecoa a voz do ex-vereador Edmilson Amparado que já alertava que a manutenção das estradas deveria ocorrer durante o período de estiagem. Mais uma vez o município chega ao novo ciclo de chuvas sem planejamento adequado, e a culpa continua sendo atribuída ao clima ou às críticas da oposição. O prefeito depois de maltratar os produtores rurais com críticas desvairadas, descabidas e histéricas, referindo-se aos outdoors de protesto, parece estar merecendo um repeteco. Mesmo anunciando a estiagem como a salvação, na primeira chuva, e estamos no tempo dela, ficou claro a lambança que fizeram: não preocuparam em drenar a água e os serviços foram desperdiçados. Sempre que se faz algo malfeito o prejuízo é certo e essa parece ser a especialidade do governo Diego Oliveira.
A realidade que não cabe na entrevista
Ao afirmar que a estiagem teria resolvido os problemas da cidade e retirado o palanque dos críticos, o prefeito talvez tenha revelado mais do que imaginava. A frase acaba funcionando como um retrato involuntário da forma como o atual governo parece enxergar a administração pública: dificuldades concretas da população são tratadas como simples incômodos políticos que precisam ser neutralizados no discurso.
A realidade, porém, insiste em se impor. Pacientes continuam aguardando meses e até anos por exames, consultas especializadas e cirurgias. Faltam medicamentos, as unidades de saúde seguem sobrecarregadas e a UPA permanece sendo o último recurso de quem não consegue atendimento na rede básica. E como se isso já não fosse grave o suficiente, ainda circulam relatos de que pessoas próximas ao poder conseguem privilégios no sistema, inclusive com interferência de um conhecido vereador que agora, pasmem senhores, se apresenta como candidato a presidir a Câmara Municipal. Se confirmadas, práticas dessa natureza revelam algo ainda mais preocupante do que a simples incompetência administrativa: a utilização da estrutura pública para beneficiar aliados enquanto o cidadão comum continua esperando na fila e na chuva. Em um sistema de saúde já castigado pela desorganização, qualquer privilégio concedido a apaniguados representa uma afronta direta à população que depende exclusivamente do atendimento público. Deveria Sua excelência saber, que na estiagem a gigantesca fila sofre com o calor e sol a pino e seus problemas se tornam mais grave. E enquanto tudo isso acontece, o prefeito parece ter passado o inverno em verdadeira hibernação administrativa. Não preparou as estradas rurais no período de estiagem, não planejou adequadamente as obras, contratou mal serviços que acabaram paralisados, não fiscalizou como deveria e tampouco puniu empresas que abandonaram compromissos com o município. Agora, diante do resultado inevitável dessa sucessão de falhas, resta recorrer a declarações levianas em entrevistas cuidadosamente conduzidas pela chamada imprensa credenciada, mantida com recursos públicos e frequentemente utilizada como vitrine de propaganda pessoal do prefeito. A cidade, entretanto, continua esperando algo muito mais simples e essencial: administração séria, planejamento e respeito com a inteligência da população e justamente por isso, já registramos uma ansiedade para chegar logo a data da renúncia do Dr Diego e da posse do vice prefeito de quem se espera um governo melhor o que, diante de tantos descalabros, não deve ser tarefa tão complexa.





