Passos no Modo Imundície IV: o problema que não tem fim

O Diário Não Oficial da Política

Fev 10, 2026 - 06:03
Fev 9, 2026 - 21:27
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Passos no Modo Imundície IV: o problema que não tem fim
Cena comum com peçonhentos pelas ruas de Passos, como essa jiboia no Jardim Eldorado: as serpentes fizeram 23 ataques à população no ano passado (Foto: Reprodução redes sociais)

A cidade lidera recordes vergonhosos enquanto o serviço essencial desmorona mais uma vez: Lixo nas ruas, escorpiões nas casas e incompetência nos contratos. 

 

Lixo de novo no centro do debate

O Diário realmente acreditava que não precisaria mais tratar da vergonhosa situação da coleta de lixo em Passos. Depois do rompimento do contrato com a empresa que conseguiu colocar a cidade no pior cenário sanitário de sua história, esperava-se que o novo processo licitatório trouxesse eficiência e estabilidade. A expectativa, porém, durou pouco. O que se vê novamente são ruas tomadas por resíduos, reclamações generalizadas e um serviço que continua muito aquém do mínimo aceitável.

 

Incompetência travestida de modernização

Não há como ignorar o papel do setor de licitações da prefeitura nesse desastre anunciado. Em nome de uma suposta renovação administrativa, servidores experientes que a prefeitura investiu muito em sua  capacitação ao longo dos anos, foram substituídos por jovens neófitos, cheios de arrogância e vazios de conhecimento técnico. O resultado dessa espécie de etarismo do Sr Dr Prefeito está aí: contratos mal elaborados, empresas incapazes e um festival de desacertos administrativos que só prejudicam a população. Nem o mais habilidoso dos defensores oficiais conseguiria justificar tamanha trapalhada, até porque, internamente, todos reclamam secretamente do pessoal da licitação.

 

Réveillon com luzes e lixo

Enquanto o prefeito exibia orgulhosamente seus enfeites natalinos milionários, Passos virou cartão-postal da contradição. Árvores iluminadas dividiam espaço com sacos de lixo amontoados pelas esquinas. Um espetáculo deprimente que resumiu perfeitamente o estilo da atual administração: marketing caro, serviços básicos falidos.

 

Recorde vergonhoso na saúde pública

Agora a situação volta a se agravar como denunciado pelo OBSERVO (leia aqui) Como se a sujeira espalhada pela cidade já não fosse problema suficiente, agora Passos lidera outro ranking preocupante. Em 2025 foram registrados 483 ataques de animais peçonhentos, o maior número de todo o Sul de Minas. Desse total, 354 casos foram provocados por escorpiões, seguidos por ataques de abelhas, aranhas e até serpentes. A relação entre esses números e o acúmulo de lixo e mato alto é direta e inquestionável.

 

Comparações que envergonham

Cidades maiores e mais populosas da região apresentaram índices muito inferiores. Poços de Caldas registrou 306 ocorrências e Pouso Alegre apenas 122. Passos, com todos os seus problemas de limpeza urbana, praticamente quadruplicou o índice de alguns municípios vizinhos. Um dado que deveria envergonhar qualquer gestor minimamente responsável.

 

Lixo que vira criadouro

Especialistas são unânimes ao afirmar que o ambiente urbano negligenciado favorece a proliferação de escorpiões, aranhas e outros animais perigosos. O lixo acumulado atrai baratas, alimento preferido dos escorpiões. Terrenos sujos e cheios de entulho viram abrigo perfeito para serpentes. A deficiência da coleta, portanto, deixou de ser apenas questão estética para se tornar um grave problema de saúde pública.

 

Prevenção que não substitui gestão

É claro que a população precisa adotar medidas de proteção, como vedar ralos, evitar acúmulo de materiais nos quintais e procurar atendimento médico imediato em caso de picadas. Mas nenhuma campanha preventiva substitui o dever básico da prefeitura de manter a cidade limpa. Sem capina regular e coleta eficiente, todo esforço individual vira enxugar gelo.

 

Consequências que vão além do mau cheiro

O lixo espalhado não traz apenas risco de animais peçonhentos. Ele contribui para entupimento de bueiros, enchentes, proliferação de mosquitos transmissores de doenças e desvalorização de bairros inteiros. Custa caro aos cofres públicos e afeta diretamente a qualidade de vida da população. É um problema que exige planejamento e ação contínua, e não discursos vazios.

 

Cobrança popular organizada

Diante desse quadro, não resta à comunidade outro caminho senão reagir de forma organizada e cobrar providências concretas. Algumas atitudes práticas são fundamentais: registrar reclamações formais protocoladas, sempre guardando o número de protocolo; exigir o cumprimento do cronograma oficial de coleta; organizar abaixo-assinados por meio das associações de moradores; denunciar pontos viciados de descarte irregular; e fiscalizar se a empresa contratada está realmente cumprindo o que prevê o contrato.

 

Quem poderá nos salvar?

E, quando todas essas medidas não surtirem efeito, existe um instrumento decisivo que precisa ser usado sem medo: recorrer ao Ministério Público para que investigue e obrigue a prefeitura a garantir a prestação regular do serviço essencial de limpeza urbana assegurando a segurança sanitária da população. Coleta de lixo não é favor nem gentileza do governo. É dever legal e inalienável do poder público.

 

Nota final

Passos vive hoje a triste combinação de gestão amadora, contratos malfeitos e prioridades invertidas. A cidade lidera rankings que ninguém gostaria de liderar e volta a conviver com cenas que deveriam ter ficado no passado. Enquanto o prefeito se preocupa com campanha política e propaganda pessoal, a população tropeça em sacos de lixo e corre risco real de adoecer ou ser vítima de animais peçonhentos. O problema não é falta de dinheiro nem de aviso. O problema é falta de competência administrativa e de respeito com o cidadão.

Se a administração municipal não consegue sequer recolher o lixo da cidade, fica cada vez mais claro que o verdadeiro problema de Passos não está nas ruas sujas, mas nos gabinetes mal administrados. E essa sujeira política, infelizmente, tem se mostrado muito mais difícil de remover do que qualquer montanha de entulho acumulado nas esquinas.