Passenses fecharam 2025 com gastos de R$ 26,8 milhões em bebidas
Dados consolidados do IPC Maps revelam que, apesar da redução no número de bares e restaurantes em Passos, o consumo de álcool subiu
No próximo dia 18 de fevereiro, o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo. A data ganha contornos preocupantes ao analisarmos o balanço recente do consumo: em Passos, o ano de 2025 consolidou um gasto de R$ 26 milhões 818 mil em bebidas alcoólicas pelas famílias locais.
O montante representou uma alta de 2,4% em relação a 2024. Embora o crescimento em Passos tenha sido mais moderado que a explosão de 11,3% registrada na média nacional (que saltou de R$ 36,4 bi para R$ 40,5 bi), os números locais acendem o alerta para a saúde pública regional. Minas Gerais, inclusive, encerrou o período como o segundo estado com maior despesa no setor (R$ 4,2 bilhões), atrás apenas de São Paulo.
O Raio-X do Consumo em Passos
O detalhamento por classe social em Passos mostra que o "bolso" do álcool pesou de forma diferente entre os cidadãos:
- Classe A: Foi a que apresentou o maior crescimento real, com um salto de 17% nos gastos (indo de R$ 1,75 milhão para R$ 2,04 milhões).
- Classes C e D/E: Também registraram altas expressivas de 11,2% e 13%, respectivamente.
- Classe B: Curiosamente, foi o único grupo que reduziu o consumo, apresentando uma queda de 7,4% nas despesas com bebidas.
Menos Bares, Mais Consumo?
Um dado intrigante do fechamento de 2025 foi o recuo no setor de Serviços de Alimentação (bares, restaurantes e similares) na cidade. Passos registrou o fechamento de 17 estabelecimentos, uma queda de 1,9% no setor.
Essa retração local reflete o fenômeno nacional, onde a fragilidade dos Microempreendedores Individuais (MEIs) causou o fechamento de 5,2% dessas empresas, enquanto grandes redes e outros formatos jurídicos conseguiram abrir mais de 28 mil novas unidades pelo país.
O alto valor investido em álcool — que no Brasil ultrapassa os R$ 40 bilhões — reforça o desafio das autoridades de saúde neste 18 de fevereiro. O gasto financeiro é apenas a ponta do iceberg de um problema que gera danos sociais, acidentes de trânsito e doenças crônicas. Em Passos, o desafio para 2026 é reverter essa curva de crescimento e priorizar a prevenção ao uso excessivo.
Raio-X do Sul de Minas
Poços de Caldas, Pouso Alegre, Varginha e Passos movimentaram, juntas, mais de R$ 132 milhões em 2025 no setor de bebidas alcoólicas, revelando uma tendência regional de alta no consumo doméstico.
Segundo dados do IPC Maps, as quatro maiores cidades da região registraram um crescimento no potencial de gastos das famílias com bebidas, contrastando com o fechamento de bares e restaurantes.
Liderança de Poços e Pouso Alegre
Poços de Caldas consolidou-se como o maior mercado consumidor da região, com um gasto de R$ 38,2 milhões em 2025, uma alta de 8,3% em relação ao ano anterior. Logo atrás, Pouso Alegre registrou números quase idênticos, com R$ 36,4 milhões injetados no setor.
Varginha também acompanhou o ritmo de crescimento regional (+8,1%), totalizando R$ 30,8 milhões. Já Passos, embora tenha o menor volume entre as quatro (R$ 26,8 milhões), chamou a atenção pela resiliência do consumo mesmo com a menor taxa de crescimento percentual (2,4%).
A Força da Elite e das Classes de Base
O perfil socioeconômico do consumo revela dados surpreendentes:
- A "Explosão" na Classe A: Em Poços de Caldas, o gasto da classe mais alta com bebidas saltou impressionantes 23,2%. Pouso Alegre e Varginha seguiram o rastro com altas superiores a 21%.
- Consistência na Base: As classes C e D/E em todas as quatro cidades mantiveram crescimentos de dois dígitos (entre 11% e 17%), mostrando que o consumo de álcool permeia todas as camadas sociais com força renovada em 2025.
- O Recuo da Classe B: Curiosamente, em Passos, a classe B foi na contramão da região, reduzindo seu potencial de gasto em 7,4%.
O Fenômeno dos Estabelecimentos
Enquanto o "caixa" das bebidas alcoólicas engorda, a estrutura física de atendimento encolhe. Poços de Caldas foi a que mais sentiu, com a perda de 35 estabelecimentos de serviços de alimentação (queda de 3%). Passos perdeu 17 unidades (-1,9%), enquanto Pouso Alegre e Varginha tiveram quedas mais leves (1,1% e 0,6%, respectivamente).
Especialistas indicam que esse fenômeno — aumento de gasto total versus redução de bares — sugere que o brasileiro está mudando o hábito de consumo: saindo menos para beber "na rua" e comprando mais em supermercados e atacarejos para consumir em casa.
Alerta de Saúde Pública
Os números bilionários (R$ 40,5 bi no Brasil) e os milhões regionais reforçam o desafio do combate ao alcoolismo. O alto potencial de consumo nas classes D/E é especialmente preocupante para gestores públicos, pois impacta diretamente a renda de famílias mais vulneráveis, além de sobrecarregar o SUS com doenças decorrentes do uso abusivo.
Dados consolidados de 2025:
- Poços de Caldas: R$ 38,2 mi (+8,3%) | 1.136 empresas (-3,0%)
- Pouso Alegre: R$ 36,4 mi (+8,3%) | 1.000 empresas (-1,1%)
- Varginha: R$ 30,8 mi (+8,1%) | 861 empresas (-0,6%)
- Passos: R$ 26,8 mi (+2,4%) | 856 empresas (-1,9%)
Realidade nacional
Segundo dados do IPC Maps, especializado em potencial de consumo brasileiro, em 2025 o segmento registrou alta de 11,3% em relação aos desembolsos do ano anterior, que passaram de R$ 36,4 bilhões para R$ 40,5 bilhões pelas famílias brasileiras. Só no Estado de São Paulo, as despesas com bebidas alcoólicas somaram R$ 10,4 bilhões; seguido por Minas Gerais, com R$ 4,2 bilhões; Rio de Janeiro e seus R$ 3,9 bilhões; e Santa Catarina, na quarta posição, totalizando R$ 3 bilhões dos gastos.
Já, em queda, está a quantidade de serviços alimentícios — que engloba bares, restaurantes, entre outros — enfraquecida, sobretudo, pelos Microempreendedores Individuais (MEIs), que foram responsáveis pelo fechamento de 5,2% de suas empresas. Enquanto isso, as demais naturezas jurídicas abriram, juntas, 28.451 novos empreendimentos, totalizando cerca de 1,6 milhão de estabelecimentos no Brasil.
Sobre o IPC Maps
Publicado anualmente pela IPC Marketing Editora, empresa que utiliza metodologias exclusivas para cálculos de potencial de consumo nacional, o IPC Maps destaca-se como o único estudo que apresenta em números absolutos o detalhamento do potencial de consumo por categorias de produtos para cada um dos 5.570 municípios do País, com base em dados oficiais, através de versões em softwares de geoprocessamento. Este trabalho traz múltiplos indicativos dos 22 itens da economia, por classes sociais, focados em cada cidade, sua população, áreas urbana e rural, setores de produção e serviços etc., possibilitando inúmeros comparativos entre os municípios, seu entorno, Estado, regiões e áreas metropolitanas, inclusive em relação a períodos anteriores. Além disso, apresenta um detalhamento de setores específicos a partir de diferentes categorias.





