Os horrores e traumas de ‘Pânico 7’ estão no Cine Roxy
Três décadas depois da tragédia original, Sidney tenta levar uma vida pacata numa pequena cidade, mas a fama dos assassinatos de Woodsboro ainda a persegue
Chegando ao seu sétimo espécime, a franquia Pânico não consegue superar os sinais de cansaço. Segurar uma série com tantos filmes em três décadas de existência não é fácil, especialmente quando esta está tão presa à sua própria mitologia e forma, tornando-se refém de si mesma. Qualquer coisa que seja feita vai soar, no mínimo, uma variação pouco inspirada de si mesma, e, na real, um pastiche de dela própria.
Dirigido por Kevin Williamson – roteirista do original e do segundo e quarto filmes, embora sempre seja creditado como “criador dos personagens e produtor de todos – Pânico 7 pensa ser mais esperto do que é, mas já mostra seu enfado logo de cara no prólogo obrigatório que termina, como sempre, com muito sangue. A autorreferência, também, se tornou um elemento caro à franquia, mas, a essa altura, é mais autoindulgência e, novamente, pastiche, do que algo sagaz.
Williamson, que tem no currículo como diretor apenas o mediano Tentação Fatal (1999) está, obviamente, longe da destreza e da perspicácia de Wes Craven, que já era veterano no gênero quando fez o primeiro longa da série, lançado em 1996. Naquela época, foi um estouro, por suas reviravoltas e, especialmente, por sua picardia no retrato da geração que cresceu assistindo a violência na sala de casa, fosse na televisão ou no videogame. As referências ao terror eram divertidas e pertinentes.
Cativo desses elementos, Pânico 7 não se preocupa nem em trazer um novo fôlego à série de filmes. Trafega no piloto automático mesmo, confiando no carisma de Neve Campbell como a eterna Sidney Prescott. Não fosse a presença dela, o filme seria extremamente insuportável. Ignorando o sexto exemplar (de 2023), esse retoma o protagonismo de Sidney, morando em uma pequena cidade, ao lado do marido delegado (Joel McHale) e da filha adolescente, Tatum (Isabel May).
A fama, no entanto, não abandona Sidney, seja com a série de filmes Facada (inspirados em sua vida), nos livros de Gale Weathers (Courtney Cox, a única presente em todos os filmes da série), em especiais da televisão ou documentários de streaming. Mas a protagonista tenta levar uma vida normal até que, surpresa!, um novo ghostface aparece matando geral para chamar a atenção dela, e ameaçando eliminar Tatum.
Nesses 30 anos que separam o Pânico original deste, a relação do público com histórias de crime mudou muito. Os livros, filmes de ficção e documentários de true crime se popularizaram a ponto de se tornar um nicho lucrativo, levando a surgir os podcast sobre o gênero. Pânico 7 é uma mistureba superficial de contemporaneidade. Quer falar de deepfake e IA, de true crime e seu impacto cultural e social, e do cinema. Nada disso funciona, pois os temas são jogados e logos descartados, nada serve com um elemento narrativo, são apenas referências baratas para fazer o filme se conectar com o público jovem.
Personagens entram e saem sem necessidade sequer de existirem (parece que o roteirista/diretor se esqueceu da existência deles). A maior vítima é Gale Weathers e as pistas falsas estão para todo lado, sem ter a menor importância. Seguindo a fórmula sem qualquer vontade de se renovar, Pânico 7 é genérico e inócuo. Resta esperar pelo novo Todo Mundo Em Pânico, que está em produção. A sátira rasgada pode ser mais interessante do que o original satirizado. (Alysson Oliveira/Cineweb)
PÂNICO 7 (Scream 7).EUA, 2026. Gênero: Terror. Duração: 114 minutos. Classificação: 18 anos. Direção: Kevin Williamson. Elenco: Neve Campbell , Courtney Cox , Matthew Lillard. Cine Roxy, 21h00.







