O que foi ignorado na gestão Diego, agora cobra solução

O Diário Não Oficial da Política

Abr 4, 2026 - 06:38
Abr 3, 2026 - 20:54
 0  179
O que foi ignorado na gestão Diego, agora cobra solução

Coleta de lixo, revisão do saneamento e transparência no SAAE entram no centro do debate

 

Lixo nas ruas exige solução definitiva

Passos enfrenta mais uma vez um cenário grave na coleta de lixo urbano, que já se arrasta há muito tempo e expõe um problema estrutural. Não se trata mais de falha pontual, mas de um modelo que não tem conseguido se sustentar. A repetição do problema, agora em nível ainda mais crítico que episódios anteriores, mostra que a cidade precisa abandonar soluções improvisadas e enfrentar o tema como política pública permanente.

 

Problema herdado da gestão anterior

Ainda que o prefeito Maurício esteja no início da gestão, é evidente que a situação foi herdada. Durante o governo do então prefeito Dr Diego, não se conseguiu estruturar um sistema eficiente e duradouro para a coleta de lixo. A consequência é um serviço fragilizado, que chegou ao limite e agora exige resposta rápida e consistente.

 

Avanço pontual não resolve falha estrutural

A chegada de cinco novos caminhões coletores representa um avanço importante e necessário. No entanto, o próprio governo já reconhece que o problema não está apenas na frota. Sem uma reestruturação completa do sistema, com planejamento técnico e organização operacional, o risco de repetição desse cenário permanece evidente.

 

Autarquia surge como alternativa

Diante desse cenário, cresce a discussão sobre a Prefeitura assumir diretamente o serviço ou transferi-lo para uma autarquia municipal. A proposta pode representar maior controle e previsibilidade, desde que seja construída com responsabilidade técnica e financeira, evitando repetir erros já conhecidos.

 

SAAE exige base financeira organizada

O Prefeito Maurício já anunciou a intenção do SAAE vir a assumir a coleta, mas para isso, será indispensável criar uma estrutura financeira clara e bem definida. É necessário separar receitas, estabelecendo fontes específicas para água, esgoto e limpeza urbana, evitando mistura de recursos e garantindo sustentabilidade. Sem esse cuidado, qualquer ampliação de atribuições corre o risco de comprometer o equilíbrio da autarquia.

 

Plano ignorado tem responsável

O Plano Municipal de Saneamento Básico PMSB já previa diretrizes importantes que poderiam ter evitado o cenário atual, inclusive a participação do SAAE. Durante a gestão do então prefeito Dr Diego, o PMSB foi negligenciado, ignorado, sem revisão e sem aplicação prática. Hoje, além de enfrentar os problemas acumulados, o município ainda convive com o prazo de revisão vencido, o que reforça a necessidade urgente de corrigir essa omissão e nesse momento será fundamental debater a encampação da limpeza urbana pelo SAAE.

 

Taxa de lixo exige convencimento, não imposição

Qualquer solução duradoura passa pela definição de fontes de financiamento. A eventual criação de uma taxa de lixo precisa ser construída com transparência e convencimento. Cabe ao novo prefeito demonstrar com clareza a relação custo-benefício, mostrando que a melhoria do serviço depende diretamente da existência de recursos estáveis.

 

A cidade como um condomínio

A lógica é simples e precisa ser dita com clareza. Uma cidade funciona como um condomínio. Não é possível ampliar serviços ou melhorar sua qualidade sem que os moradores contribuam para isso. Se Passos deseja sair do estado atual da coleta, será inevitável discutir de forma madura de onde virão os recursos necessários.

 

SAAE precisa ser mais transparente

Ao mesmo tempo em que se discute ampliar o papel do SAAE, cresce a cobrança por mais transparência. Investimentos, despesas, política de pessoal e aquisições, precisam ser apresentados de forma clara, permitindo que a população compreenda como são utilizados os recursos da autarquia. Entre os pontos que geram questionamentos está a aquisição de telefones celulares de alto padrão para diversos cargos de direção, despesa que precisa ser justificada dentro de critérios de necessidade e prioridade administrativa. Também é legítima a demanda por uma auditoria na folha de pagamentos, para que se tenha clareza sobre a estrutura de pessoal, os custos envolvidos e a adequação dessas despesas à realidade do serviço prestado. Não se trata de acusação, mas de garantir transparência e boa gestão em um órgão que opera com recursos públicos e tem papel central no funcionamento da cidade e o Diário apresentará em edições futuras, muitas outras questões, igualmente importantes, que visam alcançar aperfeiçoamento e transparência nessa importante autarquia.

 

Estação elevatória expõe erro e uso político

O caso da estação elevatória não pode ser ignorado. A obra foi inaugurada sem condições adequadas de funcionamento, já que a rede de esgoto chegou a uma cota cerca de 2,5 metros inferior ao necessário. Trata-se de um erro técnico grave. Além disso, a inauguração foi antecipada com uma perniciosa finalidade política, associada à despedida do então prefeito e hoje pré-candidato a deputado estadual, Dr Diego. O episódio evidencia uma decisão que priorizou o efeito político em detrimento da qualidade da obra, o que exige apuração de responsabilidades. Quem vai ser responsabilizado por esse inaceitável e primário erro que trará prejuízos aos cofres públicos?

 

Nota final

A proposta de transferir a coleta de lixo para uma autarquia pode representar um caminho viável, mas exige responsabilidade. É fundamental que haja debate amplo com a sociedade, especialmente no contexto da revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico.

Também é indispensável promover medidas saneadoras no SAAE ou, no mínimo, garantir maior transparência sobre sua gestão. Qualquer ampliação de atribuições precisa estar sustentada por uma política financeira sólida, com fontes de recursos definidas em lei e organização clara das receitas. Sem esses elementos, o risco é evidente. Apenas transferir o problema de lugar, sem oferecer solução real para um serviço que já ultrapassou todos os limites de tolerância da população.