O escândalo dos vídeos que Diego não conseguiu editar
O Diário Não Oficial da Política
O que o prefeito admitiu ao Ministério Público e o que tentou esconder nas redes sociais
O Acordo que Virou Escândalo
O Ministério Público de Minas Gerais concluiu que o prefeito de Passos, Diego Rodrigo de Oliveira, utilizou irregularmente um servidor da comunicação, também contratado irregularmente via MGS e em horário de expediente, para produzir vídeos destinados às suas redes sociais pessoais, e não aos canais oficiais da Prefeitura. Confrontado pelas evidências, o prefeito admitiu a irregularidade em depoimento e firmou um Acordo de Não Persecução Cível, obrigando-se a pagar cerca de R$ 46 mil, remover os conteúdos e cessar o uso da estrutura pública em benefício próprio. Mesmo assim, em vídeo divulgado depois, tentou desviar o foco e atribuir culpas a terceiros. É a partir desse choque entre documentos oficiais e discurso público que toda a cidade ficou estarrecida.
R$ 46 mil para não virar réu: o preço da inocência?
O prefeito aceitou pagar dois salários brutos, algo próximo de R$ 46 mil para livrar-se de um processo por improbidade administrativa. Segundo o próprio Termo de Audiência do Ministério Público, ele admite ter utilizado o servidor público, lotado na comunicação da Prefeitura, para produzir vídeos destinados às suas redes sociais pessoais, e não aos canais oficiais. Mais sério ainda: ele reconhece que os vídeos foram gravados durante a atividade típica do servidor.
A pergunta no ar: Quem é inocente paga multa de 46 mil para não responder processo?
Quase 50 mil para evitar desgaste? Ou para evitar inelegibilidade?
O prefeito justificou no vídeo que “preferiu pagar a multa para não perder energia com processo judicial". O curioso é que quem confia na própria inocência obviamente prefere defender-se e ser absolvido, não comprar um acordo que exige confissão de irregularidade, pagamento alto e ainda remoção de conteúdo ilícito. O que o prefeito quer evitar mesmo?
Vídeos circenses com dinheiro público: agora comprovado pelo próprio autor
No depoimento registrado pelo MP, o prefeito confirma que, em várias situações, o servidor o acompanhava, gravava imagens e produzia vídeos para divulgar nas redes privadas do prefeito. Uma parte com celular da Prefeitura, outra com o celular do servidor, tudo em horário de trabalho, ou seja: dinheiro público bancando a performance digital do prefeituber.
O servidor só fazia vídeos institucionais? Só se for na cabeça do prefeito
O depoimento ao MP afirma textualmente que parte do conteúdo publicado pelo prefeito teria origem em vídeos produzidos com o servidor da Prefeitura. E o próprio prefeito diz que não consegue estimar exatamente a proporção, mas admite que alguns vídeos pessoais foram produzidos com estrutura pública. No vídeo do prefeituber, porém, a narrativa muda completamente: culpa terceiros, diz que nunca teve intenção de usar servidor para benefício pessoal e que a denúncia é injusta. Como explicar a divergência? Duas versões para o mesmo fato? Uma para o MP, outra para as redes?
Falar direto com o povo? Com recursos públicos?
O nosso perverso Observador da cena política passense comentou que o prefeito tenta “falar direto com o povo e isso incomoda quem nunca fez nada pela cidade”, e Diego se referindo ao incomodo de terceiros com o seu "sucesso" disse que está pagando por isso: NÃO EXCELENTÍSSIMO, QUEM ESTÁ PAGANDO PELO USO IRREGULAR DE RECURSOS PÚBLICOS É O POVO. Além disso o Prefeito afirma que nunca teve intenção de usar de recursos públicos para si: o Prefeito que é advogado formado deve ter matado aula quando ensinaram sobre improbidade administrativa configurada por usar recursos públicos para seus projetos pessoais.
E como não poderia deixar de ser, o nosso arguidor Observador alertou aos nobres vereadores de Passos, que o perdão da improbidade não perdoa o crime de responsabilidade, aparentemente praticado por ato inconstitucional e que mereceria, fosse nosso legislativo mais vigilante e menos ajoelhado, uma apuração exemplar... Em tempos de papai noel podemos até acreditar...
O prefeito que diz querer ‘trabalhar pela cidade’ é o mesmo que passa dias fora em busca de votos
No vídeo, Diego afirma que aceitou pagar a multa porque quer concentrar sua energia em “trabalhar pela cidade” em vez de responder processo. Mas qualquer pessoa de Passos sabe que os dias do prefeito no Cortiço do Rosário são raros. O ritmo de visitas, agendas, e viagens não é exatamente trabalho técnico municipal parece mais campanha para deputado estadual. Trabalhar pela cidade… ou trabalhar pelo futuro mandato?
O acordo mostra que não era invenção: havia, sim, uso indevido de servidor”
O MP só propõe Acordo de Não Persecução Cível quando já existe materialidade suficiente da irregularidade e os documentos, depoimentos e prints colhidos não deixam dúvidas.
Tanto que o acordo exige: retirada dos vídeos; pagamento da multa; uso exclusivo de canais oficiais. Nada disso existiria se fosse apenas “perseguição política”, como ele tenta vender.
Acordo, multa, confissão, remoção dos vídeos… mas a culpa é dos outros?”
O prefeito gravou vídeo dizendo que tudo “aconteceu por causa de pessoas que nunca fizeram nada pela cidade”. Se for praticar improbidade acho que a maioria das pessoas não fazem isso mesmo! Mas o documento mostra que o único responsável pelos atos é ele mesmo.
Nenhum dos fatos exigidos pelo MP foi imposto a quem denunciou. Foram impostos a ele. Porque ele praticou o ato. Responsabilidade: essa palavra ele evita.
NOTA FINAL
O caso envolvendo o prefeito de Passos, Diego Rodrigo de Oliveira, ultrapassa o campo da comunicação institucional: trata-se de improbidade administrativa, configurada pela utilização de servidor público, durante o horário de trabalho, para produzir conteúdo destinado às redes sociais privadas do prefeito. O Termo de Audiência e o Termo de Depoimento do Ministério Público são explícitos: o prefeito admite a prática, tenta minimizar a extensão dos atos, mas reconhece o uso do servidor e da estrutura pública. A partir desses elementos, o MP propôs o Acordo de Não Persecução Cível, cuja natureza jurídica exige a admissão da irregularidade para ser firmado. Não há narrativa que possa alterar esse fato:
· se não houvesse irregularidade, não existiria acordo;
· se não houvesse ato ímprobo, não haveria multa de quase R$ 50 mil;
· se não houvesse desvio de finalidade, o MP não exigiria remoção de conteúdo e proibição de continuar a conduta.
O prefeito tenta, agora, atribuir a terceiros a responsabilidade sua numa tentativa de distorcer a realidade e transformar a irregularidade comprovada em perseguição política. Essa estratégia não se sustenta diante dos documentos assinados por ele próprio. A verdade é simples: ele aceitou pagar multa alta, retirar vídeos ilegais e admitir irregularidade porque o risco real era a abertura de processo por improbidade, que poderia resultar em condenação e inelegibilidade, exatamente em ano que antecede sua tentativa de se tornar deputado estadual.
A sociedade de Passos merece gestores que tratem a verdade com rigor e o cargo com seriedade, não com vídeos patéticos e justificativas artificiais. O conato direto com a população exige que seja feito com decência, responsabilidade e transparência, não narrativas mirabolantes para esconder fatos. O episódio revela não apenas um comportamento irregular, mas também uma incapacidade de reconhecer a própria responsabilidade, preferindo culpar terceiros e insistir em versões fantasiosas. A improbidade existiu, foi admitida, foi punida e acredita-se que será corrigida. Falta agora a parte mais difícil: a postura.





