O diálogo que chega e o silêncio que não pode ficar

O Diário Não Oficial da Política

Nov 27, 2025 - 06:25
Nov 26, 2025 - 21:16
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O diálogo que chega e o silêncio que não pode ficar
O servidor aposentado Vilmar Eugênio de Castro fez uso da tribuna popular, defendendo a extensão da assistência de saúde aos servidores municipais aposentados (Foto: Divulgação CMP)

Prefeito inicia diálogo com aposentados e reascende a esperança de respostas sobre assuntos que não cabem mais na gaveta.

 

 Um gesto que precisa ser reconhecido

O Diário registra, com a devida ênfase, o mérito do prefeito Dr. Diego, que finalmente recebeu os aposentados da Prefeitura. Depois de anos de portas fechadas, promessas penduradas e reuniões desencontradas, a abertura do diálogo é uma atitude nobre de Sua Excelência e o Diário faz questão absoluta de registrar.

 

O início de um caminho que a cidade esperava.

A Prefeitura anunciou que fará um chamamento para atualizar dados dos aposentados, hoje inexistentes nos registros municipais. Um passo básico, mas essencial, que permitirá a elaboração do estudo de impacto financeiro referente ao plano de saúde estudo que a administração conseguirá fazer com essas providências.

 

Próxima semana: nova reunião, novos sinais de avanço.

Na terça-feira haverá outra rodada de conversa, desta vez já sob coordenação do futuro prefeito e atual vice, Maurício. Espera-se que o diálogo, enfim iniciado, siga com a solidez e o respeito que os aposentados merecem.

 

Transparência também é uma forma de diálogo

Reconhecido o gesto positivo, cabe lembrar um princípio maior: a população de uma cidade merece respeito permanente, e esse respeito não pode se manifestar apenas quando convém ao governo. A transparência não é favor, é obrigação legal e moral. E é nesse ponto que introduzimos uma reflexão necessária  válida para qualquer gestor público.

 

Transparência não é opcional.

Prefeitos que comemoram cada boa notícia nas redes sociais precisam ter a mesma energia para explicar denúncias, falhas administrativas e problemas internos. Quem assume o cargo assume também o dever de esclarecer.

 

Silenciar não resolve e esclarecimento fortalece.

Embora seja comum esperar o “momento certo” para responder a uma questão sensível, a boa gestão contemporânea recomenda o caminho oposto: esclarecer, apresentar informações, revisar procedimentos e dialogar com a comunidade. A transparência, quando exercida prontamente, evita dúvidas desnecessárias e preserva a confiança.

 

Publicidade é compromisso, não apenas celebração.

A Constituição determina que todos os atos da administração, positivos ou delicados, devem ser devidamente informados. Tornar públicas também as situações complexas demonstra respeito institucional, maturidade política e compromisso com a verdade.

 

A confiança nasce da postura, não do silêncio.

A população percebe quando um gestor enfrenta momentos difíceis com serenidade e clareza. Explicar, mesmo quando não é simples, reforça credibilidade. Já a ausência de respostas prolonga incertezas. Na vida pública, a coragem de esclarecer sempre tende a fortalecer a relação entre governo e comunidade.

 

NOTA FINAL – ELOGIO, DEVER E VIGILÂNCIA

O Diário, mais uma vez, reconhece o gesto digno do prefeito em finalmente iniciar o diálogo com os aposentados. É uma evolução da maturidade administrativa e respeito às pessoas que construíram a história da Prefeitura.

Mas se estamos verdadeiramente entrando em uma nova fase, é importante que esse espírito se estenda a todas as áreas do governo. A cidade ainda aguarda explicações claras sobre temas sensíveis, como por exemplo  as graves denúncias envolvendo a Secretaria de Cultura, referentes a um suposto  episódio de racismo e a assinatura de documento com informações enganosas, o destino do dispendioso Britador, que consumiu recursos e não entregou resultados;  as medidas referentes aos possíveis contratos irregulares da MGS; e muitos outros pontos que, com senso de responsabilidade, continuaremos apresentando.

O Diário permanecerá vigilante, firme na crítica quando necessário, mas igualmente justo em reconhecer avanços, abrir espaço ao contraditório e garantir que os gestores tenham voz para apresentar suas versões.

Porque transparência não tem lado,  tem caráter.  E quem escolhe governar uma cidade não pode escolher quando se explicar.