No Roxy, ‘O Diabo Veste Prada 2’ reproduz energia original em sequência icônica
Reforçando a qualidade dos personagens criados em 2006, filme faz urgente comentário sobre a indústria midiática
Não se deve ir tão longe a ponto de chamar O Diabo Veste Prada 2 de Todas Mulheres da Fashionista, mas o novo filme é uma ode melancólica a um tipo de jornalismo cada vez mais em desuso, aquele praticado por jornalistas – em oposição ao "conteúdo" produzido por influencers e afins. Mas, como o filme não quer exatamente desagradar ao seu público-alvo, o diretor David Frankel não coloca isso com todas as palavras, é claro, mas o discurso está lá.
O roteiro de Aline Brosh McKenna, retomando os personagens do livro de Lauren Weisberger e do primeiro filme de 2006, não paga para ver até onde pode ir a sátira. Por isso, o filme se dá de forma contida, mostrando como um novo tipo de jornalismo é baseado em likes e compartilhamentos – até aí, nada de novo. A novidade está em mostrar como isso afeta o jornalismo. O tom não é de saudosismo, mas o de uma exasperação. Afinal, se hoje jovenzinhos e jovenzinhas divulgadores de moda brilham, acumulando seguidores no Instagram e recebidinhos, é por conta de que caminhos foram abertos no passado por profissionais que mostraram ser possível fazer uma imprensa séria daquilo que não se considera hard news, ou, em alguns casos, chama-se até de fútil.
Meryl Streep retoma a personagem que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar, a editora da revista de moda fictícia Runaway, Miranda Priestly, uma figura inspirada na famosa ex-editora da Vogue estadunidense Anna Wintour. Ela representa uma visão do jornalismo mais próximo do marketing do que de um texto elaborado, uma matéria bem pesquisada.
Do outro lado, está a personagem de Anne Hathaway, Andy Sachs, que depois de ser assistente de Priestly, nesses 20 anos, se tornou uma jornalista respeitada, que ganha prêmios, mas isso acaba de perder o emprego. Por isso, acaba sendo chamada para trabalhar na Runaway novamente, para elevar o teor jornalístico da publicação, que anda em baixa, e é majoritariamente publicado online.
A trama em si é um tanto estapafúrdia, sendo melhor em partes do que no todo. Assim os personagens são mais valiosos do que a narrativa. Nem todo mundo, no entanto, tem a mesma chance de Streep e Hathaway. Emily, interpretada por Emily Blunt, é uma figura que não faz o menor sentido, sem personalidade, e usada apenas como um tapa-buracos para emendar partes do roteiro que não se juntariam sozinhas. Stanley Tucci também reprisa Nigel, que é um poço de bondade, mas um personagem insosso, que não sai da sombra das duas protagonistas. Quem se dá bem aqui é Justin Theroux, uma nova adição ao filme, que interpreta um tech bro, à la Elon Musk, tão rico quando estúpido com ideias estapafúrdias. Lucy Liu e Kenneth Branagh, por sua vez, fazem dois personagens completamente esquecíveis e dispensáveis.
Frankel não é exatamente um diretor que deixa marcas de criatividade ao longo de seus filmes. Tendo em seu currículo, além do primeiro O Diabo Veste Prada, Beleza Oculta e Marley e Eu, ele tem a sorte de ter duas atrizes de personalidades à frente desse longa, que imprimem estilo a um filme tão sem personalidade quanto um suéter azul cerúleo. ((Alysson Oliveira/CineWeb)
NA TEVÊ: No dia do lançamento da sequência, a TV Globo apresenta nesta quinta, às 15h25, apresenta na Sessão da Tarde, O Diabo Veste Prada, filme de 2006 tem Emily Blunt e Anne Hathaway como assistentes fashionistas da temida Miranda Priestly, papel de Meryl Streep, editora-chefe na renomada revista de moda Runway Magazine. O elenco também conta com Stanley Tucci e Gisele Bündchen.
O DIABO VESTE PRADA 2 (The Devil Wears Prada 2) EUA, 2026.Gênero: Comédia. Duração: 120 minutos. Classificação: 12 anos. Direção: David Frankel. Elenco: Meryl Streep , Anne Hathaway , Emily Blunt , Stanley Tucci. Cine Roxy, em Passos, 15h30 e 18h30.







