Moda sustentável
Bloco de Moda
A COP30 destacou a presença da moda sustentável brasileira com projetos baseados em bioeconomia e inovação. A Vicunha apresentou um denim feito de fibra de malva amazônica, cultivada por comunidades ribeirinhas sem desmatamento ou insumos químicos, gerando renda local e mantendo a floresta em pé. A peça exibida no evento foi desenvolvida em parceria com iniciativas sociais que envolvem mulheres privadas de liberdade e jovens de programas comunitários. A Riachuelo integrou o projeto ao mostrar resultados do seu Hub de Circularidade, coordenado por equipe técnica que inclui especialistas como Marcela Kanner e parceiros da indústria têxtil nacional.
Os debates paralelos, realizados no Rio, reuniram nomes como Paulo Borges, Oskar Metsavaht, Chiara Gadaleta e Fernanda Simon, discutindo emissões, rastreabilidade e modelos regenerativos para a cadeia da moda. Outras empresas brasileiras apresentaram iniciativas de algodão regenerativo e design de baixo impacto, reforçando a presença do país na agenda climática.
A participação da moda na COP30 evidencia que a transição climática depende de cadeias produtivas mais limpas, colaborativas e socialmente justas.
VAIVÉM
* * Na última temporada de Milão, a Apex levou grifes brasileiras que promovem coleções conscientes para os eventos Milano Fashion & Jewels e Beyond the Claim. O objetivo foi conectar empresas nacionais a compradores internacionais comprometidos com produção responsável. Muitas dessas grifes integram o programa Texbrasil, o que reforça o apoio estatal para a internacionalização da moda verde brasileira. A ação mostra como a sustentabilidade é uma alavanca estratégica para expandir os negócios e valorizar o design brasileiro no exterior.
* * Relatório divulgado pelo Fashion Revolution Brasil revela que muitas marcas nacionais ainda têm baixa transparência climática: apenas cerca de 24% das empresas avaliadas divulgam dados sobre emissões de gases de efeito estufa, energia renovável e estratégias para desmatamento zero. O estudo avaliou dimensões como rastreabilidade, metas de descarbonização e justiça social. Segundo o documento, a maioria das empresas não está investindo em adaptação climática junto a seus fornecedores e comunidades vulneráveis.
PONTO FINAL
Na região amazônica do Amapá, designers e empreendedoras reforçam a moda sustentável com projetos de upcycling e biocouro. A marca Selvática reutiliza retalhos e tecidos de estofados para criar acessórios sem desperdício (“zero waste”) e capacitar mulheres em situação vulnerável. Já a startup Yara Couro desenvolve um “couro verde” usando taninos vegetais e pigmentos naturais, reduzindo o impacto ambiental da produção tradicional. Paralelamente, o coletivo Costura Criativa promove oficinas para ensinar costura com retalhos.





