Manual da lama: como não preparar estradas para o período chuvoso (da série Prefeitura em ruinas)

O Diário Não Oficial da Política

Jan 8, 2026 - 06:11
Jan 7, 2026 - 21:20
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Manual da lama: como não preparar estradas para o período chuvoso (da série Prefeitura em ruinas)
No ano passado, o prefeito apresentou uma solução da varinha de condão, de um produto milagroso que solucionaria em definitivo os problemas das estradas rurais. Parecia produto das Organizações Tabajara (Foto: Divulgação PMP)

Sem prevenção, sem prioridade e sem oposição, o período chuvoso expõe a falência da gestão pública em Passos.

 

Estradas rurais: o caos anunciado

Mais uma vez o período chuvoso chegou antes da Prefeitura. As estradas rurais de Passos entraram em estado calamitoso, confirmando aquilo que todo produtor já sabia e o poder público fingiu não ver. Um áudio recente da Secretaria de Agricultura admite o óbvio: dezenas de pontes danificadas, algumas com tráfego interrompido. A chuva veio, mas a prevenção, não. A matéria do Observo detalha a situação de ruinas das estradas rurais pontes e aterros (veja aqui)

 

SEMAB dormiu no ponto

Por maiores que tenham sido as chuvas do fim do ano passado e início deste, é impossível ignorar a omissão da SEMAB. As medidas básicas para enfrentar o período chuvoso simplesmente não foram tomadas. Drenagem, reforço de solo, manutenção preventiva? Nada. O resultado está aí: lama, isolamento e prejuízo.

 

Câmara de festas, críticas proibidas

Enquanto isso, o Legislativo Passense parece ter se transformado em casa de eventos e carimbo automático de pedidos do Executivo. Ainda ecoa com saudade a voz firme do vereador Edmilson Amparado (que falta que ele faz), que alertava, cobrava e insistia para que o doutor prefeito Diego Rodrigo de Oliveira adotasse medidas preventivas. Hoje, sem oposição, sobram aplausos e faltam estradas.

 

Auditoria como desculpa para a inércia

Comenta-se à boca pequena, que a preocupação com uma certa auditoria conduzida pela Procuradoria Municipal paralisou muita gente embora seja mais um assunto sem nenhuma transparência. Todos ficaram tão atentos ao papel que esqueceram o barro. As tarefas rotineiras da secretaria foram deixadas de lado e a conta caiu no colo de quem produz.

 

Solução existe. Gestão, não.

A título de exemplo, o Governo de Minas, por meio da SEINFRA, mantém programas com projetos-padrão para pontes (vãos de 8 a 18 metros) e mata-burros metálicos. O caminho é simples: organização mínima, envio de dados, projeto e execução dos apoios técnicos. Com isso, não seria difícil obter apoio político inclusive do deputado Cássio Soares. Mas é preciso que a Prefeitura faça a sua parte. E rápido.

 

Vila São José: quando até com dinheiro dá errado

Por falar em rapidez, a EPTV Sul de Minas mostrou a situação dramática da pavimentação da Vila São José. Recursos existem, há empréstimo específico, mas a Prefeitura conseguiu ser lenta e incompetente mesmo assim. Em pleno período seco, apenas duas ruas parcialmente feitas. O resto? Paralisado. Promessas quebradas e moradores penalizados.

 

Verba que encolhe pela inoperância

Vale lembrar: a lentidão absurda já custou caro. A verba do deputado Emidinho Madeira, suficiente para pavimentar 48 ruas, virou apenas 28. Não por falta de dinheiro, mas por falta de gestão e fiscalização. Agora, com a chuva batendo à porta, restam no máximo três meses para pavimento e drenagem no restante do bairro. Missão impossível para os padrões de execução da Prefeitura do Dr Diego.

 

O relatório ignorado

Especialistas são unânimes: estrada rural se planeja antes da chuva e se mantém durante. Drenagem é a alma da durabilidade. Patrulhas rurais, máquinas revisadas, estoque de tubos, resposta rápida, comunicação com a comunidade. Nada disso é novidade — é rotina básica. O que não funciona (e mesmo assim insistem) é patrolar de última hora, jogar terra sem drenagem e trabalhar para foto, não para durar.

 

Manual do que NÃO foi feito

Curiosamente, toda prefeitura minimamente organizada sabe que estrada rural não se prepara na chuva. Bastava um diagnóstico simples: mapear atoleiros, grotas, curvas perigosas, priorizar transporte escolar e escoamento da produção. Mas, em Passos, a gestão parece adepta da inovação administrativa: esperar chover para descobrir onde alaga. Método moderno, barato e totalmente ineficaz.

 

Água no lugar errado

Especialistas são unânimes: sem drenagem, estrada vira rio. Laterais limpas, bueiros e saídas de água desobstruídos, greide da pista bem feito jogando a água para as laterais, caixas de retenção e caimento correto evitam que a enxurrada destrua tudo. Aqui, porém, a opção foi pedagógica: deixar a água correr no meio da estrada, ensinando ao produtor rural, na prática, porque patrolamento sem drenagem dura menos que promessa de campanha.

 

Patrulha rural de Schroedinger

Antes das chuvas, máquinas revisadas, estoque de tubos, cascalho e equipes por região. Durante as chuvas, resposta rápida e prioridade ao essencial. Em Passos, a patrulha rural vive um curioso fenômeno quântico que talvez o físico Schroedinger possa explicar: existe no discurso, desaparece na lama. Só reaparece em foto, quando o tempo firma e o estrago já está feito.

Passos tem especialista

O nosso roceiro Observador da cena política de Passos lembrou que o prefeito apresentou uma solução da varinha de condão, de um produto milagroso que solucionaria em definitivo os problemas das estradas rurais. Como tudo não passava de mais um ilusionismo midiático de Sua Excelência, o sutil Observador deixou um conselho ao Sr Prefeito: Quando quiser falar de um produto, seria de bom alvitre consultar o passense Dr José Márcio De Simoni Silveira, especialista em estradas, com extenso currículo Nacional e Internacional pela Andrade Gutierrez, hoje produtor rural, que já se prontificou a colaborar, sem nenhum interesse financeiro (mas os doutores da prefeitura dispensaram). Essa história de fazer vídeo com propaganda de produto do “Homem da Cobra”, faz passar vergonha.

 

Nota Final – Quando nada funciona, mesmo com tudo

A Prefeitura do doutor Diego não funciona quando faltam recursos. E, como se vê, não funciona nem quando eles existem. O técnico municipal diz que as pontes são caras, que custam milhões. Verdade. Mas fica o alerta: se a priorização de recursos passasse pelo corte de supérfluos como a caríssima iluminação decorativa de Natal, torneira aberta para a ADESC e seus penduricalhos, verbas milionárias de publicidade “nunca vistas na história de Passos”, além do excesso de contratos terceirizados para acomodar puxa-sacos, parentes de políticos e jornalistas, muitas pontes já estariam preparadas.

Mas a prioridade não é infraestrutura produtiva. É projeto de poder pessoal. E, enquanto votos valem mais que estradas, quem paga o preço é o produtor rural, isolado na lama, assistindo à chuva cair sobre uma gestão que derrete ao primeiro sinal de responsabilidade.