IMA investiga morte em massa de abelhas em São José da Barra
Uso de agrotóxicos nas plantações de cana-de-açúcar seria a causa
O cenário de devastação na zona rural de São José da Barra, onde milhares de abelhas foram encontradas mortas, acionou o protocolo de emergência do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). O órgão agora lidera uma investigação técnica para identificar os agentes químicos responsáveis pelo extermínio e orientar produtores sobre as normas de segurança no campo.
A gerência regional do IMA, que acompanhou as vistorias nos apiários atingidos, trouxe esclarecimentos cruciais sobre a dinâmica do ocorrido. Segundo o técnico, a principal hipótese é a intoxicação por contato ou ingestão de defensivos agrícolas aplicados de forma irregular em lavouras vizinhas.
As principais explicações técnicas do IMA para o caso incluem:
- Ação dos Neurotóxicos: O técnico explicou que o comportamento das abelhas antes de morrer (tremores e a língua para fora) indica um colapso do sistema nervoso causado por substâncias químicas.
- O Perigo da "Deriva": O órgão ressalta que o vento pode ter carregado o produto para fora da área da lavoura, atingindo diretamente as flores onde as abelhas coletam néctar.
- Falta de Comunicação: Um dos pontos críticos destacados pelo técnico é a ausência de diálogo entre agricultores e apicultores. O IMA reforça que a legislação exige que o agricultor informe aos vizinhos sobre a aplicação de produtos tóxicos com antecedência, para que as colmeias possam ser fechadas ou protegidas.
"É como se fosse parte da família"
O técnico do IMA relembrou que o caso de São José da Barra não é isolado. No ano passado, a região já havia registrado perdas significativas. Na ocasião, as análises laboratoriais confirmaram que a causa foi o uso de produtos à base de Fipronil, um inseticida altamente letal para polinizadores e que possui restrições severas de uso para evitar justamente esse tipo de catástrofe ambiental.
Para os apicultores locais, as explicações técnicas confirmam o que eles já sentiam na prática. O produtor rural Ricardo, que perdeu grande parte de suas colmeias, desabafou:
"A gente segue todas as normas do IMA, mantém o registro em dia, cuida da sanidade... e de repente, o trabalho de uma vida inteira é dizimado pelo erro de outro. O técnico nos explicou que elas morrem em minutos após o contato. É devastador."
Próximos Passos
O IMA coletou amostras de abelhas mortas, favos de mel e plantas das proximidades para análise em laboratórios oficiais.
"O nosso objetivo não é apenas punir, mas garantir que a coexistência entre agricultura e apicultura seja segura. Se houver crime ambiental, os laudos serão encaminhados ao Ministério Público", afirmou o representante do instituto.
O órgão orienta que qualquer apicultor que perceba mortalidade fora do comum deve acionar imediatamente a unidade do IMA mais próxima para que a perícia seja feita ainda com o material "fresco", garantindo a precisão dos exames.







