Governo Diego: pior que está, não fica

O Diário Não Oficial da Política

Fev 12, 2026 - 06:36
Fev 11, 2026 - 20:24
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Governo Diego: pior que está, não fica
Nenhuma prefeitura séria fica refém de empreiteira, o que na de Passos é uma constante. Quando isso acontece, o problema costuma estar na gestão (Foto: Arquivo)

Promessas repetidas e problemas acumulados marcam a gestão do Doutor Diego.

 

O prefeito e a arte de desviar assuntos

Nos últimos dias o Diário analisou as declarações infelizes do prefeito Diego Rodrigo de Oliveira, sempre empenhado em impor a sua versão particular dos fatos. Comentamos a promessa mirabolante do fim das enchentes na Avenida Coronel Francisco Avelino Maia, o anúncio estrondoso de um produto milagroso para resolver as estradas rurais e a eterna retomada de obras que nunca saem do papel. A mais recente entrevista concedida a um jornalista de emissora credenciada para promoção pessoal do prefeito apenas reacendeu a revolta dos produtores rurais. Em vez de soluções, mais desculpas e narrativas convenientes, repetidas pelos demais locutores da rede credenciada, agradando ao prefeito mas enfurecendo os ruralistas.

 

A voz que vem da Mumbuquinha

Para se ter uma ideia do tamanho da repercussão, além da divulgação pela Globo da instalação dos outdoors, circularam incontáveis vídeos mostrando o caos das estradas com destaque para um vídeo de moradores da região da Mumbuquinha recompondo, por conta própria, um trecho intransitável da estrada. No registro, um cidadão manda um recado direto ao prefeito: avisem ao Dr. Diego que isso aqui e esses carros não são do Mato Grosso, mas sim da esquecida Mumbuquinha. É com essa revolta que a população tem se referido ao prefeito. E é assim que reage quando surgem aqueles vídeos inoportunos tentando mudar o foco dos problemas reais.

 

A fala repetida que irrita a população

As frases repetidas pelo prefeito em suas gravações, “Fala Minha Gente” e "Vamos prá cima", transformou-se em sinônimo de mal-estar para quem já se cansou de bravatas e promessas vazias. A cada nova aparição, cresce o asco e a sensação de que o discurso oficial caminha em direção oposta à realidade das ruas. Convém prestar atenção, porque ao que tudo indica o eleitor demonstra cada vez menos paciência com o atual mandatário.

 

O milagre do enxugamento que não existiu

Quando ocorreu a demissão dos quarenta contratos irregulares da MGS, o prefeito tentou vender a versão de que tudo fazia parte de um grande plano de economia e enxugamento da máquina pública. A cidade sabe que a história é outra. Os desligamentos aconteceram às pressas depois que vieram à tona denúncias de uso político indevido desses cargos, em clara violação a acordo judicial firmado com o Ministério Público. Diante da gravidade dos indícios, foi aberta notícia de fato para apuração. O corte não foi ato de gestão responsável, mas tentativa desesperada de conter danos.

 

A pergunta que não se cala

Como acreditar em um prefeito que vê quarenta pessoas perderem o emprego, entre elas a esposa do próprio entrevistador, e ainda se apresenta como herói da austeridade? As dispensas foram manobra de pânico para tentar apagar rastros antes do avanço das investigações. E, para completar, as publicações oficiais mostram que parte desses demitidos já começa a ser recontratada, especialmente aqueles de maior peso político. A narrativa da economia não resiste ao primeiro confronto com a realidade.

 

Confessou e agora diz que não confessou

Na mesma entrevista o prefeito afirmou não ter culpa no caso do servidor usado para gravar vídeos pessoais e eleitorais. Disse que assinou acordo apenas para evitar processo.

Ocorre que o acordo exige confissão expressa. E ele confessou. Admitiu ter utilizado servidor público, em horário de trabalho, para produzir material de autopromoção em rede social particular. Sem essa admissão, não haveria acordo válido.

Além disso, aceitou pagar multa de cerca de quarenta e seis mil reais e retirar conteúdos irregulares. Nada disso combina com inocência.

 

Um insulto à inteligência coletiva

A parte mais ofensiva é ver o prefeito afirmar que assinou apenas para evitar desgaste. A pergunta é simples: alguém inocente pagaria multa elevada e confessaria uso indevido de recursos públicos?

A prática era pública e notória. O servidor filmava o prefeito diariamente. Agora se tenta transformar fato comprovado em simples mal-entendido. É a tentativa de negar o que foi oficialmente reconhecido e subestimar o discernimento da população.

 

O discurso sobre as obras paradas

Ao falar das inúmeras obras abandonadas, o prefeito atribuiu tudo à lentidão dos processos e ao suposto abandono por parte das empresas contratadas. A declaração demonstra desconhecimento elementar das regras da administração pública. O município possui instrumentos legais para punir empresas, rescindir contratos e garantir a continuidade dos serviços. Nenhuma prefeitura séria fica refém de empreiteira. Quando isso acontece, o problema costuma estar na gestão.

 

O exemplo do hospital veterinário

O caso do Hospital Veterinário, parado há mais de um ano, é simbólico. O prefeito afirmou que somente agora será feita alteração de projeto para convocar o segundo colocado. Se a mudança for relevante, não haverá segundo colocado possível e nova licitação será obrigatória. Trata-se de informação básica para qualquer gestor minimamente preparado. Enquanto isso, a obra continua parada e a cidade paga a conta da incompetência administrativa.

 

Nota final – uma prefeitura sem direção

O conjunto dessas declarações revela uma administração que perdeu completamente o rumo. Demissões apresentadas como economia, acordo confessado tratado como inocência, obras paralisadas transformadas em culpa alheia. A gestão municipal transformou irregularidades em supostos méritos, confissões em negativas convenientes e falhas graves em desculpas repetidas. A cada entrevista o prefeito confirma que não governa, apenas reage. Não administra, apenas se justifica. Não assume responsabilidades, apenas procura culpados. O resultado é uma cidade entregue a um governo desorientado, que tenta sobreviver fabricando versões em vez de produzir resultados concretos. Entre aqueles que sofrem diariamente com serviços públicos precários, cresce o sentimento de que a atual administração já esgotou sua capacidade de conduzir Passos. Uma liderança comunitária resumiu o clima das ruas ao afirmar que muitos depositam esperança no vice-prefeito Maurício, repetindo a conhecida frase popularizada pelo deputado Tiririca: pior do que está não fica.