Governo Diego falha com os mais vulneráveis

O Diário Não Oficial da Política

Jan 15, 2026 - 07:25
Jan 15, 2026 - 07:25
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Governo Diego falha com os mais vulneráveis
O símbolo mais visível da inoperância é o Terminal Rodoviário de Passos, que se consolidou um verdadeiro albergue informal (Foto: Redes Sociais)

A SEDEST apresenta números tímidos, perde o controle do Centro POP e expõe a ausência de política pública para pessoas em situação de rua.

 

Assistência social em Passos: improviso, omissão e números que não se sustentam

Passos segue sem apresentar um planejamento consistente para acolher, recuperar e devolver dignidade às pessoas em situação de rua. A atuação da SEDEST de Passos permanece marcada por ações pontuais e resultados claramente insuficientes diante da gravidade do problema. A equipe de abordagem que anteriormente apresentava algum grau de efetividade foi substancialmente alterada e o que se observa desde então é uma política limitada, quando muito, a tentativa de deslocar o problema no espaço urbano sem enfrentá-lo de forma estruturada.

 

Rodoviária: o cartão-postal do abandono

O símbolo mais visível dessa inoperância é o Terminal Rodoviário Antônio Pedro Patti, onde se consolidou um verdadeiro albergue informal. Nem mesmo a simples mudança de local solução precária por natureza tem sido alcançada. O impacto é direto: quem chega ou passa por Passos leva consigo a imagem de uma cidade que naturalizou o abandono humano, expondo pessoas em extrema vulnerabilidade em um de seus principais espaços públicos.

 

Quando a crítica aponta caminhos possíveis

Ao denunciar a inércia local, é inevitável destacar que há políticas públicas reais, contínuas e eficazes sendo executadas em outras cidades mineiras. Não se trata de teoria ou discurso, mas de modelos testados e operantes.

 

Poços de Caldas: política pública estruturada, não maquiagem social

Em Poços de Caldas, o enfrentamento da situação de rua é tratado como política pública permanente, com método, integração e presença diária do poder público. O município mantém Serviço de Abordagem Social contínuo, com busca ativa regular, impedindo que pessoas recém-chegadas se estabeleçam definitivamente nas ruas. O trabalho não se limita à remoção visual do problema, mas à construção de alternativas reais. O Centro POP local funciona como eixo organizador da política social: oferece higiene pessoal, alimentação, guarda de pertences, acompanhamento psicológico e social, além de encaminhamentos diretos para a rede de saúde, como CAPS e Consultório na Rua. É um espaço de reorganização de trajetórias, e não de simples contenção. A campanha permanente “Poços não dá esmolas. Oferece atendimento!” atua de forma educativa junto à população, turistas e comerciantes, deixando claro que a esmola perpetua a rua, enquanto o atendimento estruturado cria possibilidades de saída. Panfletagem, sinalização urbana e ações de conscientização fazem parte da rotina. Poços também mantém casas de passagem e unidades de acolhimento institucional funcionando 24 horas, com capacidade compatível com a demanda local, evitando a ocupação crônica de praças, terminais e áreas centrais. Os encaminhamentos para cidades de origem são feitos de forma qualificada, com contato prévio com familiares ou com a rede assistencial do destino, garantindo acolhimento na chegada. Nos períodos críticos, como o inverno, há protocolos específicos e intensificação das ações, demonstrando que planejamento e dignidade não são opcionais, são diretrizes.

 

Juiz de Fora e Uberlândia: integração que gera resultado

Em Juiz de Fora, o Programa Caminhos de Volta aposta na reconstrução de vínculos familiares e comunitários. O município realiza abordagem noturna ativa, recâmbio qualificado e utiliza o Centro POP como porta de entrada para acompanhamento psicológico e social contínuo.

Uberlândia se destaca pelo acolhimento por perfil, com unidades específicas para idosos, famílias, homens e mulheres, reduzindo conflitos e ampliando a segurança. O incentivo à EJA, à qualificação profissional e o acompanhamento pós-acolhimento mostram que a política não termina quando a pessoa sai da unidade ela começa ali.

 

Números frios, realidade escaldante

Os números apresentados no fim do ano pela SEDEST de Passos podem até parecer razoáveis em relatórios. Mas basta um exercício simples dividi-los pelos dias do ano, mesmo que apenas pelos dias úteis para que a realidade apareça sem maquiagem: o resultado diário é extremamente tímido, incompatível com a urgência e a complexidade do problema. Não é opinião. É matemática básica. Para uma situação que exige ação contínua e política pública estruturada, os dados revelam uma atuação burocrática, episódica e insuficiente.

 

Centro POP: quando a omissão vira regra

Segundo informações recorrentes, o próprio Centro POP saiu do controle da Secretaria. O que deveria ser espaço de acolhimento e reorganização passou a conviver com problemas graves de organização, disciplina e segurança, sem que providências efetivas sejam tomadas. A omissão deixou de ser exceção e passou a ser método.

 

A Guarda presente, mas no papel errado

A presença da Guarda Municipal de Passos na SEDEST cria a falsa impressão de que medidas de segurança estejam sendo adotadas para o Centro POP. Não estão. Na prática, a Guarda tem exercido outro papel: atuar como fiel escudeira na escolta da secretária, enquanto os problemas estruturais permanecem intactos.

 

Nota Final - Relatórios não acolhem pessoas

Relatórios bem diagramados, números globais e discursos defensivos não acolhem ninguém, não recuperam vínculos e não retiram pessoas da rua. Servem apenas para sustentar uma narrativa administrativa que não resiste ao confronto com a realidade cotidiana. Enquanto cidades como Poços de Caldas, Juiz de Fora e Uberlândia tratam a população em situação de rua como prioridade política, Passos segue presa à inércia, à encenação institucional e a crença equivocada de que apresentar números equivale a apresentar resultados.

Não equivale.

 E essa conta continua sendo paga todos os dias por quem já perdeu quase tudo e por um governo que insiste em virar o rosto.