Futuro da UEMG em jogo: três chapas disputam reitoria sob sombra de decisão política

Diretor da unidade de Passos, Vinicius de Abreu, encabeça uma das chapas concorrentes

Abr 30, 2026 - 21:25
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Futuro da UEMG em jogo: três chapas disputam reitoria sob sombra de decisão política
Camila, Vinicius e Heloísa (acima) encabeçam as chapas, tendo como vices Flávia, Vanesca e Leonardo (abaixo) como vices (Fotos: Reprodução)

A Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) vive um momento de tensão institucional. Com eleição marcada para formar a lista tríplice que será enviada ao governador Mateus Simões (PSD) em 20 de maio de 2026, três chapas disputam o comando da instituição para o mandato 2026–2030. O pleito, que envolve professores, estudantes e servidores técnico-administrativos, ocorre sob forte debate sobre autonomia universitária e a destinação de patrimônio público.

Diferentemente de algumas universidades federais, na UEMG o governador tem a prerrogativa de escolher qualquer nome da lista tríplice enviada pela comunidade acadêmica. Mateus Simões deixou clara sua posição durante visita recente ao campus de Frutal, no Triângulo Mineiro: só terá chance real de nomeação o candidato que não se oponha à venda ou destinação de um prédio abandonado da universidade naquela cidade.

O imóvel, construído originalmente para servir de moradia a atletas e estudantes, teria custado cerca de R$ 200 milhões aos cofres públicos, mas hoje se encontra em estado de abandono, segundo o governador. Os recursos da possível venda seriam usados em obras no próprio campus local, como a finalização de uma biblioteca.

A declaração gerou forte reação. Entidades como ANDES-SN, UNE e movimentos estudantis denunciaram o que classificam como “chantagem” ou “ameaça à autonomia universitária”.

A Chapa 1 (“A UEMG que a gente quer”) já assinou carta-compromisso elaborada por representantes da comunidade defendendo o respeito ao resultado da consulta à comunidade. As demais chapas ainda não se manifestaram publicamente sobre o tema até o fechamento desta matéria. Simões, por sua vez, nega interferência na gestão interna da universidade, afirmando que não aceita mais o “desperdício” de patrimônio público.

 

As Três Chapas e Seus Projetos

 

As candidaturas foram homologadas pela Comissão Eleitoral Central com base na Resolução CONUN/UEMG nº 698, de março de 2026. Os planos de gestão completos estão disponíveis no site da UEMG e nas páginas oficiais das chapas.

  • Chapa 1: “A UEMG que a gente quer” Reitora: Profa. Camila Jardim (Unidade Ibirité) Vice-reitora: Profa. Flávia Lemos (Unidade Divinópolis) A proposta enfatiza gestão participativa, transparência, democracia interna e maior atenção às demandas das unidades do interior e da região metropolitana de Belo Horizonte. A chapa se apresenta como coletiva e construída “a muitas mãos”.
  • Chapa 2: “UEMG ViVa” Reitor: Prof. Vinícius de Abreu D’Ávila (atual diretor da UEMG Passos) Vice-reitora: Profa. Vanesca Korasaki (Pró-Reitora de Pesquisa/Passos) O mote é “união para fortalecer, ousadia para inovar”. Os candidatos defendem internacionalização, fortalecimento da pesquisa de ponta, modernização do ensino e maior integração entre as unidades. Vinícius D’Ávila tem forte base na maior unidade acadêmica da UEMG, em Passos.
  • Chapa 3: “A UEMG que Minas merece” Reitora: Profa. Heloísa Santos (Diretora da Escola de Design – BH) Vice-reitor: Prof. Leonardo Gouveia (Unidade João Monlevade) Apresenta um plano estruturado em 19 compromissos, com destaque para a unificação do Campus Belo Horizonte, criação de uma Pró-Reitoria de Assistência Estudantil, integração entre unidades e maior transparência na gestão. A chapa se posiciona como uma alternativa de “integração e desenvolvimento” para toda Minas.

 

Contexto e o Que Está em Disputa

 

A UEMG é uma universidade multicampi, com unidades espalhadas por várias regiões de Minas Gerais. Questões como precariedade de infraestrutura em alguns campi, políticas de permanência estudantil (bolsas, restaurantes universitários), expansão de pesquisa e a relação com o poder Executivo estadual sempre marcaram os debates eleitorais.

A polêmica em torno do prédio de Frutal cristaliza um conflito clássico entre o desejo de autonomia das universidades estaduais e a visão do governo de que o patrimônio público deve ser gerido com eficiência, evitando desperdícios. Para os críticos, condicionar a nomeação do reitor fere a tradição de respeitar, ainda que não obrigatoriamente, o mais votado na consulta interna. Para o governador, trata-se de responsabilidade fiscal e compromisso com o bom uso do dinheiro público.

A comunidade acadêmica acompanha o desenrolar do processo com atenção. As chapas têm realizado debates e apresentações de planos de gestão nas diversas unidades. Estudantes, professores e servidores podem consultar os documentos oficiais no portal da UEMG para subsidiar seu voto.

O resultado da eleição interna definirá a ordem da lista tríplice, mas a decisão final sobre quem comandará a UEMG pelos próximos quatro anos permanece nas mãos do governador Mateus Simões. O desfecho dessa disputa dirá muito não apenas sobre o futuro da universidade, mas também sobre os limites práticos da autonomia das instituições de ensino superior mantidas pelo Estado de Minas Gerais.

Redação Redação