Férias em Biarritz
Bloco de Moda
O histórico desfile cruise em Biarritz (cidade no sudoeste da França), confirma o talento estratégico do estilista Matthieu Blazy à frente da Chanel. Ao retornar ao balneário onde Coco Chanel moldou seu estilo nos anos 1910 (foi lá que instalou sua primeira loja) para mostrar sua coleção de férias, Blazy não apenas cita a história — ele a reativa com inteligência para reposicionar a marca no presente.
Seu maior acerto está na construção de um novo luxo: mais leve, sensorial e contemporâneo. O brilho aparece difuso, em superfícies acetinadas, paetês discretos e transparências que evocam luz natural, afastando a Chanel do glamour rígido e aproximando-a de um desejo mais atual.
Ao mesmo tempo, ele revisita códigos clássicos — tweed, preto, listras náuticas — com fluidez e menos estrutura, trazendo a maison para um território mais próximo do corpo e do cotidiano. Pequenas rupturas, como volumes ampliados e acessórios com energia pop, evitam qualquer sensação de repetição.
Blazy demonstra domínio raro: equilibra herança e inovação com precisão comercial. Mais do que uma boa coleção, entrega direção. E é justamente essa clareza que recoloca a Chanel de forma competitiva e relevante no mercado global de luxo.
VAIVÉM
*** Os salões de negócios de moda Contemporâneo Showroom, de Flávia Rotondo, e o Novo Showroom movimentaram cerca várias marcas na temporada de abril em São Paulo, com ticket médio de pedidos entre R$ 8 mil e R$ 25 mil por lojista. A presença de compradores de estados como Minas Gerais, Paraná e Goiás reforçou o papel desses eventos como polos comerciais e lançou as coleções para o verão 2027.
** Uma reunião realizada na cidade do Porto (em Portugal) reuniu representantes da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção e da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, envolvendo cerca de 40 executivos do setor. O encontro discutiu metas de ampliar em até 15% o intercâmbio comercial bilateral até 2027, com ênfase em inovação, rastreabilidade e sustentabilidade - e também as novas oportunidades em razão do acordo UE/ Mercosul.
PONTO FINAL
A instabilidade envolvendo o Irã tem pressionado derivados de petróleo e impactado o custo do poliéster, que representa cerca de 54% das fibras têxteis globais. Com a fibra sintética mais cara, o algodão ganha competitividade. O Brasil, segundo maior exportador mundial, com produção próxima de 3 milhões de toneladas anuais, pode se beneficiar. Ainda assim, o ganho para a indústria local depende da capacidade de agregar valor, já que o país exporta grande parte da pluma e importa produtos têxteis acabados.







