Fábrica de Passos da Heineken pode triplicar de tamanho e se tornar a maior do mundo

Empresa revela que Passos venceu a disputa com outras cem cidades porque entregou o ingrediente que responde por mais de 90% da cerveja: água com ph e minerais em condições ideais para a produção da bebida

Nov 6, 2025 - 22:30
Nov 6, 2025 - 22:31
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Fábrica de Passos da Heineken pode triplicar de tamanho e se tornar a maior do mundo
Com Alckimin, Zema e dirigentes da empresa, inauguração da fábrica da Heineken em Passos ganha destaque na imprensa nacional (Dirceu Aurélio/Imprensa MG

A solenidade de inauguração da nova fábrica da Heineken em Passos, consolidando a região como polo cervejeiro e que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckimin, do governador Romeu Zema, executivos da multinacional holandesa, autoridades estaduais e municipais, repercutiu amplamente na imprensa brasileira, com cobertura em tempo real e análises sobre o impacto econômico local. 

Ao todo, pelo menos oito dos principais jornais e portais de notícias divulgaram a notícia até o início da noite desta quinta-feira, destacando não apenas o lançamento da unidade produtiva, mas também os compromissos de sustentabilidade e inovação da empresa.

A cobertura variou de reportagens exclusivas com entrevistas aos detalhes logísticos da obra, que durou dois anos. Abaixo, uma lista dos principais veículos que noticiaram o fato, com links diretos para as matérias publicadas:

G1 (Globo) – Portal líder em audiência no Brasil, publicou uma matéria completa com fotos e vídeo da cerimônia. Heineken inaugura fábrica em Passos e promete dobrar produção no Sul de MG

UOL Economia – Foco no aspecto econômico, com análise de investimentos estrangeiros em MG. Heineken abre unidade em Passos (MG)

Folha de S.Paulo – Reportagem sobre o evento, enfatizando parcerias com fornecedores locais. Nova fábrica da Heineken em Passos impulsiona economia mineira

O Estado de S. Paulo (Estadão) – Cobertura com ênfase em inovação tecnológica da planta. Heineken investe R$ 1,2 bi em fábrica sustentável em Passos, MG

Diário do Comércio (MG) – Veículo mineiro que destacou o impacto regional. Inauguração da Heineken em Passos gera otimismo no comércio local

Valor Econômico – Análise setorial sobre o mercado de bebidas. Heineken expande operações em MG com planta em Passos

Exame – Portal de negócios que cobriu os aspectos de ESG (ambiental, social e governança). Heineken lança fábrica verde em Passos e reforça compromisso com sustentabilidade

Revista Oeste - Destaque: "Heineken inaugura nova fábrica no Brasil e amplia produção de cervejas puro malte".

IstoÉ Dinheiro: "Alckmin faz brinde com cerveja sem álcool em inauguração de fábrica da Heineken em MG".

 

PASSOS PODE MUDAR A GUERRA DA CERVEJA

 

Uma das maiores e mais detalhadas matérias sobre a nova fábrica foi do repórter João José de Oliveira, do UOL, que numa profunda reportagem mostrou “Por que Passos, em Minas Gerais, pode mudar a guerra entre Heineken e AmBev”. Leia o texto na íntegra:

“Malte, lúpulo holandês, água do Rio Grande, de Minas Gerais; e R$ 2,5 bilhões. Essa é a receita do Grupo Heineken para garantir a liderança no segmento de cerveja premium no Brasil, onde a concorrente AmBev está se tornando mais ameaçadora.

A nova cervejaria que o grupo Heineken inaugura hoje em Minas Gerais é a 14ª do grupo no Brasil. A unidade vai produzir apenas as marcas Heineken e Amstel, ambas puro malte. A primeira é líder, de forma isolada, no segmento premium; a outra é a que mais cresce.

Antes de seguirmos, um esclarecimento: cerveja premium é aquela que custa ao consumidor pelo menos 20% mais que a média das marcas mais vendidas. Como as cervejas de mais qualidade costumam ter um custo de operação maior como, por exemplo, no uso de ingredientes, elas usualmente vão para o segmento premium.

 

Crescimento do mercado premium

 

Nos últimos 10 anos, a fatia dessas cervejas premium saltou de 4% para 24% do total consumido no Brasil, um mercado de uns 140 milhões de hectolitros por ano (cada hectolitro tem 100 litros, ou umas 285 latinhas de 350ml).

“Nós que construímos esse mercado. Quando chegamos ao Brasil, lá em 2011, esse mercado não existia. O brasileiro passou a tomar melhor cerveja depois que chegamos. Por isso somos líderes”, diz Mauricio Giamellaro, presidente da Heineken Brasil

Para manter essa liderança, a Heineken investiu R$ 2,5 bilhões na cervejaria que inaugura hoje. Com capacidade de 5 milhões de hectolitros (umas 2,5 bilhões de latinhas de cerveja) por ano, a unidade amplia em 10% a capacidade instalada do grupo no Brasil. Mas essa fábrica foi projetada para poder triplicar de tamanho. E, quando isso acontecer, será a maior do grupo holandês no mundo. "O Brasil já é o nosso maior mercado de Heineken e Amstel no mundo. E seguirá sendo", diz Giamellaro.

Minas Gerais foi o estado escolhido, há três anos, para receber a cervejaria. O estado é um dos maiores consumidores da bebida, está no centro do país, e pode atender todo o Sudeste, numa vantagem logística que a Heineken considera fundamental para a cerveja: quanto mais fresca a bebida, mais preservado o sabor. Por isso, aliás, que as cervejarias são várias pelo país, cada uma atendendo uma região.

Passos, no Sul de Minas, venceu a disputa com outras cem cidades porque entregou o ingrediente que responde por mais de 90% da cerveja: água.

 

Acesso a água e logística

 

O Rio Grande, que abastece um terço da cidade, tem água com ph e minerais em condições ideais para a produção de cerveja. Não que as cervejas usem água ruim, mas quanto melhor a fonte hídrica, menos caro fica a fase de tratamento. Ou seja, água boa significa cerveja de qualidade a custo menor.

Além de acesso a logística e a água, Passos tem grandes áreas para projetos industriais porque ainda é pouco industrializada. E a Heineken precisa de espaço porque a produção de sua principal cerveja, a de rótulo verde e estrela vermelha, tem parte de sua fermentação em tanques horizontais, diferentemente da regra no setor, que usa tanques verticais.

Os tanques horizontais da Heineken permitem uma fermentação com menor pressão no início, o que ressalta sabor e aroma da bebida. Aliás, a cerveja da marca tomada no Brasil tem a mesma fórmula (e lúpulo) de qualquer outra Heineken no mundo. Tanto que, antes de produzir, os lotes são enviados semanalmente para a Holanda, para serem aprovados.

"Com a cervejaria de Passos, a Heineken quer ampliar a liderança no mercado premium", diz Giamellaro, CEO da companhia no Brasil.

 

Ameaça da concorrente AmBev

No último balanço da AmBev, a companhia nascida no Brasil, mas hoje também com DNA norte-americano, informou que cresceu 15% no segmento premium e assumiu mais de 50% desse mercado, considerando seu portfolio. Fazia dez anos que AmBev não era líder nessa prateleira.

Nessa briga, a Heineken disputa com as marcas Heineken, Amstel e Eisenbahn. A Ambev tem Corona, Stella Artois, Chopp da Brahma, Original e Spaten.

O presidente da Heineken diz que a concorrente usou a estratégia de reduzir os tamanhos das latinhas para vender mais e ganhar a liderança porque a medida é por lote vendido.

A AmBev rebate, por meio da área e comunicação, apontando que a aposta do grupo é no portfólio premium e que esse cresceu consistentemente em todos os últimos 18 trimestres, tendo alta superior a 15% no último trimestre.

A briga no segmento premium está mais acirrada neste ano também porque a demanda está mais apertada. O consumo geral de cervejas em 2025 está cerca de 10% abaixo do de 2024, em parte pelo clima, mais frio no inverno que em 2023 e 2024, e em parte pela renda mais apertada do brasileiro.

 

Novo polo industrial

Importante é que nessa disputa, o Brasil recebeu um aporte de R$ 2,5 bilhões da Heineken, que completa assim mais de R$ 6 bilhões investidos em suas unidades desde 2019.

No caso de Passos e de Minas Gerais, esses recursos têm ainda mais impacto, gerando 13 mil empregos: foram 2,2 mil vagas na construção, e mais 11 mil indiretos. Na operação da unidade, trabalham 350 colaboradores efetivos, sendo que 70% são moradores de Passos ou região, em um processo que inclui capacitação e formação de profissionais em parcerias locais e com ONGs. Em outras palavras, a Heineken está criando um novo polo industrial em Minas Gerais.

Importante também com essa disputa é ter diversidade de boas cervejas no Brasil. A preferida fica por conta de escolhas de cada um.

Por isso, aliás, que a Heineken briga no Cade há três anos contra os acordos de exclusividade que a AmBev tem em bares e restaurantes e, agora, até em grandes eventos. O órgão antitruste do Brasil acatou parte da reclamação do grupo holandês e limitou a 15% o mercado que a AmBev pode ter de exclusividade

Redação Redação