Entre o elo político e o dever de corrigir rumos

O Diário Não Oficial da Política

Abr 9, 2026 - 06:31
Abr 9, 2026 - 06:53
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Entre o elo político e o dever de corrigir rumos

O prefeito Maurício já deve saber que precisará tomar medidas que poderão não agradar o ex-prefeito Diego mas que se não mudar nada os resultados continuarão desastrosos.

 

Passos em ruínas herdadas

A população de Passos hoje está estarrecida com o momento de muitas dificuldades em virtude do abandono que sofreu nos últimos meses do governo do ex-prefeito Diego de Oliveira. O cenário que se apresenta não é fruto de uma narrativa política, mas de uma realidade visível nas ruas, nos serviços públicos e, sobretudo, na saúde municipal, que atingiu níveis alarmantes.

Ao mesmo tempo em que se demonstra confiança e esperança no prefeito Maurício da Silva, é necessário reconhecer que sua situação política é extremamente embaraçosa. Trata-se de um gestor que não apenas foi vice-prefeito, mas também líder fiel e incansável defensor do ex-prefeito na Câmara, além de ter ocupado a Secretaria Municipal de Planejamento no mandato anterior. Sua trajetória está profundamente vinculada ao grupo político que deixou a cidade em estado crítico.

 

O peso da herança política

Diferentemente do que se vê atualmente na Câmara, onde a líder do governo vota reiteradamente contra o próprio governo sem qualquer constrangimento ético, Maurício sempre exerceu papel de sustentação política do governo anterior. Isso torna ainda mais delicada sua posição atual, pois governar exige, muitas vezes, romper com práticas e decisões que ajudou a sustentar.

É fato conhecido que secretários seguem diretrizes do chefe do Executivo, ainda que tenham posicionamentos próprios. No entanto, agora, como prefeito, Maurício recebe uma cidade em situação calamitosa, com lixo espalhado, obras abandonadas, infraestrutura urbana comprometida e instrumentos de desenvolvimento como o Plano Municipal de Saneamento Básico e o Plano de Mobilidade Urbana, engavetados por Diego de Oliveira, apesar dos recursos  investidos.

 

A campanha que custou a cidade

Não se trata de discurso oposicionista afirmar que o ex-prefeito abandonou a administração para se dedicar à campanha eleitoral. O próprio Diego declarou, em entrevista, ter percorrido toda a região, de Ibiraci a Areado ou Arceburgo, em busca de apoio político. Considerando a extensão do sudoeste mineiro, com dezenas de municípios, é evidente que tal agenda exige tempo, presença e repetição de visitas, o que torna impossível conciliar com a gestão efetiva da cidade. Enquanto isso, Passos era deixada à própria sorte.

 

O colapso dos serviços públicos

Gradativamente, a população assiste, incrédula, ao descortinar do verdadeiro estado da cidade. O sistema municipal de saúde, em especial, foi transformado no pior de toda a história do Passos. A precariedade é generalizada, e os reflexos recaem diretamente sobre a população mais vulnerável, e todos, que deram um voto de confiança reelegendo o Dr Diego com consagradora votação, jamais esperavam que seu legado fosse tão deplorável. É nesse contexto que surge o anúncio de shows artísticos no parque de exposições, eventos que, ao que tudo indica, serão custeados com recursos públicos e sem cobrança de ingressos. Tudo leva a crer que se trata de uma programação herdada do governo anterior.

 

Pão e Circo em tempos de caos

O uso de verba pública para financiar megashows em festividades municipais representa uma das faces mais perversas do populismo político. Sob o pretexto de levar cultura ao povo, gestores transformam o dinheiro público em instrumento de promoção pessoal e entretenimento efêmero, enquanto a estrutura da cidade se deteriora. A estratégia é antiga, mas segue sendo aplicada com impressionante ousadia. Contratar artistas por valores elevados enquanto faltam medicamentos, exames e atendimento digno na saúde é um escárnio. Não há justificativa plausível para gastar centenas de milhares de reais em poucas horas de espetáculo diante de necessidades tão urgentes. O prefeito disse que no aniversário da cidade, quem vai ganhar o presente é o povo. Só que esqueceu de dizer que o povo vai ganhar a festa e pagar a conta...

 

Prioridades invertidas

Onde deveria haver investimento em infraestrutura e serviços essenciais, há apenas o barulho passageiro de eventos que não deixam legado. A contratação de artistas renomados não pode ser confundida com política cultural. Cultura se faz com incentivo aos talentos locais, manutenção de espaços culturais e acesso contínuo à arte, não com repasses vultosos ao show business.

 

A Conta que Não Fecha

É comum que esses eventos ocorram em municípios que alegam falta de recursos para áreas essenciais. A mesma administração que diz não ter condições de valorizar servidores ou melhorar serviços básicos encontra verbas para bancar shows de alto custo.

Para que o leitor faça suas próprias conclusões o Diário levantou valores pagos por shows da dupla Mato Grosso e Mathias em 2025:

 

 

 

A ilusão da festa

A festa de um dia não resolve os problemas de uma cidade. Ao contrário, mascara e anestesia uma realidade dura que retorna com ainda mais força após o fim dos shows. O cidadão pode até se divertir por algumas horas, mas continuará enfrentando filas na saúde, ruas deterioradas e serviços públicos deficientes.

 

A Nota Final do descalabro

O que se assiste em Passos é o retrato de uma gestão Diego de Oliveira que abandonou a cidade e de uma gestão atual que, ainda presa politicamente ao mesmo grupo e que já sabe que se não mudar profundamente as atitudes do governo, o resultado fatalmente será o mesmo. Diego deixou como parte da herança maldita a programação de espetáculos caros no parque de exposições, com entrada franca, na expectativa de agradar a população. Maurício, por outro lado sabe que Passos não precisa de espetáculos para anestesiar sua dor. Precisa de investimentos sérios, gestão eficiente e coragem para enfrentar os problemas estruturais. E o novo prefeito também talvez esteja consciente de que as atitudes que precisa tomar, podem contrariar o seu antecessor agora candidato e sabe ainda que  a realidade impõe outras prioridades. Cabe a todos os passenses manifestar claramente seu inconformismo com mais esse papelão herdado do Dr Diego e dar forças e apoio a ao novo prefeito para que não aceite essa despesa que maltrata todo o bom senso  possível nesse momento de crise.  Porque, ao final das luzes e do som, o que permanece é a dura realidade de uma cidade em ruínas.