Diego quer leiloar nossa História
O Diário Não Oficial da Política
O Observador da cena política passense, chanceler de títulos municipais, concede a Diego Oliveira o título que nenhum prefeito gostaria de carregar: Exterminador do Passado.
A matéria que se contradiz
A reportagem publicada pela Folha da Manhã sobre o antigo Hospital São Lucas conseguiu a façanha de negar e confirmar a mesma informação em poucos parágrafos. Primeiro afirma que o prédio não funciona como depósito de veículos abandonados. Logo depois, relata que há carros aguardando leilão guardados no local. A própria matéria, portanto, desmonta a versão inicial e acaba revelando aquilo que pretendia suavizar.
Garagem oficial
A confusão aumenta quando entra em cena a fala do secretário municipal de Saúde. Segundo ele, existe sim um estacionamento dentro do recinto utilizado para guardar veículos do município, inclusive carros considerados inservíveis aguardando leilão. Ou seja, aquilo que a reportagem tentou afastar acaba confirmado pela própria autoridade responsável pela área.
Declaração em eco
Outro detalhe curioso da matéria é a repetição da mesma declaração do secretário de Saúde em sequência texto. O resultado é uma sensação de gagueira editorial. Quando uma reportagem precisa repetir a mesma explicação para sustentar uma narrativa, talvez seja sinal de que os fatos caminham em outra direção.
Plano ainda nebuloso
As falas dos gestores municipais, inclusive o de Sua Excelência o Senhor Doutor Prefeito Diego Rodrigo de Oliveira, revelam que o destino do prédio continua indefinido. Há menções à possibilidade de reforma ainda neste primeiro semestre, ao mesmo tempo em que se fala em desocupação e até em dificuldade de recuperação da estrutura. O curioso é que já estamos em março e não há notícia de licitação publicada para qualquer obra pelo letárgico e “rejuvenescido” Departamento de Licitações. Sem edital, não há obra. Sem obra, resta apenas o discurso.
A pressa em descartar
Tratar um prédio histórico como um problema logístico revela uma visão limitada sobre o patrimônio público. O antigo São Lucas não é um terreno vazio qualquer. Ali funcionaram serviços essenciais da saúde municipal e parte importante da história da cidade foi construída entre aquelas paredes.
A falácia da obsolescência
A ideia de que um prédio antigo não pode atender às necessidades atuais ignora décadas de avanços na engenharia e na arquitetura de restauro. Em diversas cidades do Brasil e do mundo, edifícios históricos foram transformados em centros de especialidades médicas, museus, centros culturais e equipamentos públicos modernos. Antiguidade não é defeito. É valor.
Estacionamento não é projeto de cidade
Outro argumento recorrente é a dificuldade de estacionamento. Cidades que planejam o futuro não destroem patrimônio para abrir vagas para carros. Pelo contrário. Elas valorizam o centro urbano, priorizam serviços próximos da população e preservam os edifícios que contam sua história.
A lição mineira
Basta uma pergunta simples para entender o peso da decisão que ronda o São Lucas. Alguém proporia vender o Palácio da Liberdade porque é antigo, tem manutenção cara e fica em área de trânsito complicado? Evidentemente não. Certos prédios representam mais que paredes. Representam memória coletiva.
O precedente preocupante
Primeiro o registro da Estação Cultura que ficou 5 anos do Dr Diego no mais completo abandono e hoje se encontra praticamente interditada o que é um desrespeito à nossa história. Anunciaram uma obra que, como tantas outras, foi apenas uma promessa vazia d saltitante prefeito e que se acontecer, será no mandado do próximo prefeito porque Dr Diego já está “lacrando o caixão”. A cidade já assistiu a um episódio semelhante com o antigo Hospital Otto Krakauer. O prédio acabou sendo doado à Santa Casa depois de anos de desinteresse do poder público e está em fase de demolição. Quando um município começa a abrir mão de imóveis históricos, ele abre também mão de oportunidades futuras de ampliar serviços públicos sem custos de aquisição de novos terrenos.
Observador concede título ao Dr Diego
O resiliente Observador da cena política passense anda inconformado. Em suas andanças pelas ruas e pelos corredores do poder, ele diz que começa a perceber um padrão curioso na gestão municipal. Sempre que um prédio histórico aparece no radar da prefeitura, surge logo um discurso sobre abandono, dificuldade de recuperação ou necessidade de dar “nova destinação”. Foi assim com a Estação Cultura. Foi assim com o antigo Hospital Otto Krakauer. E agora a história parece se repetir com o velho e respeitado Hospital São Lucas.
Para o Observador, não se trata apenas de decisões administrativas isoladas. O que se vê é uma sequência de episódios em que espaços carregados de memória, acabam tratados como problema urbano, quando na verdade deveriam ser vistos como patrimônio da cidade.
Ele lembra que cidades inteligentes transformam prédios históricos em centros de serviço, cultura ou inovação. Em Passos, no entanto, a sensação é de que esses imóveis vão sendo deixados à própria sorte até que alguém conclua que já não valem a pena.
Diante dessa coleção de episódios, o Observador diz que o prefeito Diego Oliveira caminha rapidamente para conquistar um título pouco invejável na história política da cidade. Se continuar nesse ritmo de descaso com o patrimônio público, Sua Excelência poderá entrar para os registros municipais como o Exterminador do Passado. Afinal, memória urbana não se reconstrói depois que se perde. E cidade sem memória também perde parte de sua alma.
Quando se vende a memória
O debate sobre o antigo Hospital São Lucas não é apenas administrativo. Trata-se de decidir se Passos valoriza sua história ou se prefere liquidá-la. Patrimônio público não é mercadoria de ocasião. É herança coletiva. Uma vez vendido, um patrimônio público nunca mais volta para o domínio da população. O prédio do São Lucas pode voltar a servir à saúde, à assistência social ou a outros serviços públicos essenciais. O que não pode é ser reduzido a ativo imobiliário. Quando uma cidade começa a vender sua memória, ela também começa a perder sua identidade.





