Diego inaugurou, filmou e sumiu! (da série Prefeitura em ruínas)
O Diário Não Oficial da Política
Parque Linear do Primavera afunda no abandono após a inauguração e vídeos ufanistas.
Parque Linear: do discurso verde ao abandono marrom
Os parques urbanos deixaram de ser luxo há muito tempo. São instrumentos essenciais de saúde pública, planejamento urbano e preservação ambiental. Em várias cidades, funcionam como verdadeiros “pulmões” e “rins” urbanos, ajudando a reduzir o calor, conter enchentes, preservar cursos d’água e oferecer qualidade de vida à população. Os chamados parques lineares, implantados geralmente ao longo de rios e córregos, cumprem ainda outra função estratégica: evitam ocupações irregulares em áreas de risco e conectam bairros por meio de ciclovias e pistas de caminhada. No papel, são uma solução moderna, eficiente e inteligente.
Minas Gerais tem exemplos que funcionam e não são poucos
Minas Gerais acumula experiências bem-sucedidas nesse modelo. Em Belo Horizonte, os parques lineares do Ribeirão Arrudas e do Córrego do Onça ajudaram a recuperar áreas degradadas, reduzir riscos de enchentes e criar espaços públicos vivos. Em Contagem, o Parque Linear Sarandi alia engenharia hidráulica e lazer. Já em Uberlândia, o Parque do Rio Uberabinha protege o manancial que abastece a cidade e oferece quilômetros de áreas verdes. Ou seja: quando há gestão, manutenção e compromisso, o parque funciona.
Em Passos, a inauguração foi cinematográfica
Em Passos, o primeiro Parque Linear foi inaugurado no Dia da Cidade, no bairro Primavera, com toda a pompa possível. Teve discurso, vídeo para redes sociais, sorrisos ensaiados e comemoração oficial do Excelentíssimo senhor doutor prefeito Diego Rodrigo de Oliveira. Tudo muito bonito para o fazer um vídeo. Tudo muito rápido para a propaganda.
Meses depois, o cenário é outro e o vídeo não deixa mentir
As imagens de um vídeo falam por si: mato alto, trilhas praticamente inutilizáveis, ausência de manutenção, sensação de insegurança e indignação dos moradores. O que deveria ser área de convivência virou um corredor de abandono. A pergunta que ecoa entre os passenses é simples e direta: era parque ou era só cenário eleitoral?
E os vereadores, cadê?
Na inauguração, muitos apareceram. Teve vídeo, teve pose, teve postagem. Agora, diante do abandono explícito, o silêncio é ensurdecedor. Nenhuma cobrança pública, nenhuma fiscalização visível, nenhuma explicação à população. A cidade assiste, mais uma vez, a um equipamento público virar ruína precoce sem que ninguém se sinta responsável.
Especialistas alertam: ainda dá tempo, mas não com esse governo
Ouvidos pelo Diário, especialistas afirmam que, por ser uma obra recente (maio de 2024), o parque ainda tem grande potencial de recuperação, desde que a Prefeitura atue, o que, infelizmente, não tem sido a regra.
Entre as sugestões apresentadas estão:
· criação do programa “Adote o Parque”, com parcerias privadas;
· iluminação adequada e monitoramento para garantir segurança;
· eventos regulares para ocupar o espaço e evitar o abandono;
· replanejamento paisagístico com flora nativa e menos custo de manutenção.
Nada disso é invenção. Tudo já funciona em outras cidades.
Parque linear não pode virar “terreno baldio de luxo”
Sem manutenção regular, roçagem, limpeza, poda, drenagem e coleta de lixo o parque perde sua função social, ambiental e urbana. Pior: passa a gerar insegurança, pragas e desvalorização do entorno. O que se vê hoje em Passos é o retrato de um governo mais preocupado com marketing do que com gestão.
Fica o alerta ao cidadão passense
Chega de se iludir com vídeos circenses, frases de efeito e inaugurações apressadas.
Cidade não se governa com filtro de rede social. Se governa com planejamento, manutenção e responsabilidade.
Nota Final - Acorda, Passos
O Parque Linear do bairro Primavera não é um caso isolado. Ele é apenas mais um retrato de uma gestão que prefere inaugurar do que cuidar, aparecer do que manter, prometer do que administrar. O mato alto, o abandono e a insegurança não surgiram da noite para o dia — são resultado direto da ausência do poder público após o corte da fita, deixando a cidade em ruínas. O mais grave é que dinheiro público já foi gasto, a obra foi entregue e agora se deixa a estrutura apodrecer, como se o problema fosse invisível. Não é. A população vê, sente e registra, como mostram os vídeos e os protestos que circulam pela cidade. Fica a pergunta inevitável ao prefeito Diego Rodrigo de Oliveira e aos vereadores de Câmara Municipal de Passos: vocês governam para fotos de inauguração ou para o dia a dia da cidade?
Acorda, Passos! Porque parque abandonado não é herança do passado, é descaso do presente.
E quem hoje se cala diante do abandono, amanhã não pode fingir surpresa diante da revolta popular.





