Crise do "Pacote de Luxo": Diego tenta se descolar da Câmara enquanto pressão popular atinge pico histórico
No Google Trends local, termos como "Câmara de Passos e cafeteiras" tiveram um salto de 450% nas buscas
O que começou como uma divulgação técnica do Plano de Contratações Anual (PCA) da Câmara Municipal de Passos transformou-se em uma crise política sem precedentes. Após uma semana de silêncio e crescente reação e indignação popular, o cenário em Passos é de "pressão total", com os chefes dos poderes Executivo e Legislativo vindo a público para tentar conter os danos à imagem pública.
Tentando mostrar que está havendo confusão de parte da população, que atribuía ao gabinete do prefeito a responsabilidade pelos gastos, o prefeito Diego Oliveira fez um pronunciamento incisivo para separar as atribuições. O objetivo foi claro: evitar que o desgaste da Câmara respingasse na administração municipal – o prefeito, o presidente e outros dois integrantes da Mesa pertencem ao mesmo partido, comandado em Passos e no estado pelo deputado estadual Cássio Soares.
"Tem muitas pessoas fazendo confusão do que é o Poder Executivo e o que é o Poder Legislativo. O prefeito de Passos não tem ingerência e não administra a Câmara", afirmou Oliveira.
O prefeito reforçou que o orçamento do Legislativo é gerido de forma autônoma pelos próprios vereadores. "Eles se regulam e definem [os gastos] de acordo com o que entendem. Eu administro a cidade enquanto Poder Executivo", concluiu, enfatizando que, embora os poderes sejam harmônicos, a responsabilidade pelas escolhas de compra — como cafeteiras, celulares e SUVs — cabe exclusivamente aos parlamentares.
O SILÊNCIO QUEBRADO PELA CÂMARA
Após sete dias de críticas intensas, a Presidência da Câmara também se manifestou. Em nota, a casa legislativa defendeu a legalidade dos processos, reiterando que o planejamento de R$ 23,8 milhões é uma "estimativa teto" e que a reestruturação administrativa, incluindo o concurso público e a renovação da frota, visa a modernização institucional para as próximas décadas.
No entanto, a justificativa técnica parece não ter sido suficiente para aplacar o ânimo das redes, pois em pronunciamento anterior à ‘imprensa credenciada’, o presidente da Casa acusou adversários.
"TRENDING TOPIC" DA INDIGNAÇÃO
A repercussão atingiu o nível crítico nesta quarta-feira (4). O monitoramento das redes sociais aponta que Passos vive um movimento de "audiência reativa". No Google Trends local, termos como "Câmara de Passos cafeteiras" e "Imóvel de 12 milhões" tiveram um salto de 450% nas buscas.
A indignação não ficou restrita aos limites do município. Cidades vizinhas como Alpinópolis, Piumhi e São Sebastião do Paraíso já utilizam o caso de Passos como exemplo de alerta, com emissoras de rádio regional debatendo a ética na gestão do duodécimo. No Instagram e Facebook, o índice de rejeição às postagens sobre o tema chega a 95%.
CELULARES DE R$ 8,8 MIL E CONVOCAÇÃO POPULAR
A polêmica ganhou novos capítulos hoje. O empenho de R$ 150 mil para a compra de 17 celulares (uma média de R$ 8,8 mil por aparelho) superou, em nível de críticas, o caso das cafeteiras. Internautas questionam a necessidade de equipamentos de altíssimo custo para a atividade legislativa.
Além disso, a intenção de gastar R$ 12 milhões em um novo imóvel é vista com ceticismo pela população, que aponta a tendência global de digitalização de serviços como justificativa para não ampliar estruturas físicas onerosas.
O clima de descontentamento já tem data para se materializar fisicamente. Movimentos organizados e lideranças comunitárias estão convocando a população para a próxima sessão ordinária da Câmara. O objetivo é cobrar dos vereadores a revisão do plano de gastos diretamente no plenário. A narrativa que se consolidou nas ruas é uma só: "Há dinheiro para o café e para o luxo, mas falta para a pavimentação e para a saúde".





