Chega de canalhice com o dinheiro do povo
O Diário Não Oficial da Política
Enquanto Passos apodrece nas ruas e na saúde, vereadores querem transformar a Câmara em clube de luxo bancado pela população
O que o povo espera. O que recebe.
A população de Passos começa um novo período legislativo sabendo exatamente o que deveria cobrar de seus vereadores. Leis úteis, fiscalização rigorosa, presença nos bairros, mediação com o Executivo e ética absoluta. Não é favor. É obrigação constitucional. O problema é que, entre o dever e a prática, abriu-se um abismo. E quem caiu nele foi a cidade inteira.
Leis para a cidade ou agrados para aliados?
A Câmara de Passos transformou o mandato parlamentar em uma linha de produção de homenagens, medalhas, títulos e nomes de ruas. Tudo em escala industrial. Reconhecimento virou moeda política, distribuída em cotas para agradar famílias, cabos eleitorais e aliados. Enquanto isso, projetos estruturantes, leis de impacto real e iniciativas que melhorem a vida da população simplesmente inexistem. A banalização do Legislativo virou regra.
Fiscalização zero. Submissão total.
Depois da maior política de toma lá dá cá da história recente de Passos, o prefeito Diego de Oliveira consolidou uma base com todos os 11 vereadores, que funciona como carimbo automático. Fiscalizar virou palavrão. Questionar incomoda. E incomodar pode atrapalhar as benesses. Projetos passam até sem leitura, sem debate e sem qualquer sinal de responsabilidade. Nem o Orçamento Municipal escapa dessa aprovação cega. A Câmara abdicou do seu papel mais importante.
Doente espera. Vereador desfruta.
Enquanto vereadores desfrutam do poder e de suas vantagens, a população enfrenta uma realidade cruel. Pessoas morrem em filas de cirurgias eletivas. Filas gigantescas para consultas, exames e faltam até medicamentos básicos nas farmácias públicas. Falta até gaze. Ruas esburacadas, bairros tomados pelo mato, montes de lixo por todo lado e iluminação virou luxo do centro e de avenidas, obras e quadras abandonadas e estradas rurais em estado vergonhoso. A cidade sofre. O Legislativo assiste, confortavelmente sentado.
Imóvel de R$ 12 milhões. Para quê mesmo?
Causa indignação profunda a previsão de gastar R$ 12 milhões na compra de um imóvel, que ninguém sabe qual é, para ampliar a sede da Câmara. O prédio atual já abrigou 15 vereadores no passado e funcionava perfeitamente. O Diário imagina que o verdadeiro objetivo seja abrir caminho para aumentar o número de vereadores para 15 ou até 17. Mais cargos, mais gastos, mais privilégios. Menos respeito com o dinheiro do povo. A Câmara Municipal não se envergonha de mostrar a despesa que vai fazer sem ter o cuidado de detalhar a razão e as justificativas. Não vale justificar que é para deixar os vereadores felizes.
Frota de luxo em uma cidade abandonada.
A compra de três veículos de alto valor, incluindo SUVs híbridos e elétrico, escancara a completa desconexão da Câmara com a realidade da cidade. Ninguém em sã consciência consegue entender a razão para essa frota e nenhum vereador parece preocupado em explicar. Enquanto moradores enfrentam poeira, lama e buracos, os vereadores planejam circular com conforto e status. Não é sustentabilidade. É ostentação paga com dinheiro público em uma cidade que mal consegue manter serviços básicos. O que mais se houve na cidade e que os vereadores, liderados pelo Presidente Plínio perderam a vergonha.
Celulares caros para quem não atende o povo.
A previsão de comprar 17 celulares ao custo médio de quase R$ 9 mil por aparelho é um insulto direto à população. O discurso de “otimizar a comunicação” não convence quem tenta, sem sucesso, resolver problemas básicos junto ao poder público. Falta médico, falta remédio, falta respeito. Mas sobra celular caro para gabinete. Mas a maior falta que se demonstra é a de respeito com o povo!
Café quente nos gabinetes. Frio no atendimento.
Cafeteiras e frigobares para gabinetes simbolizam o retrato da Câmara atual. Conforto interno máximo. Serviço público mínimo. Em uma cidade onde pessoas sofrem por falta de atendimento de saúde, gastar quase R$ 100 mil com mordomias internas não é só desnecessário. É ofensivo. É deboche institucionalizado.
Reação de quem deu exemplo.
O ex vereador Dr Rodrigo Maia foi presidente da Câmara e exerceu seu cargo com absoluta austeridade e respeito ao dinheiro público e se manifestou em entrevista ao OBSERVO (leia aqui) onde fez coro com a população, demonstrando a indignação reinante contra as atitudes perdulárias da atual mesa do Câmara. É esperado que a cidade se levante para mostrar o que deseja de seus representantes e não apenas manifestarem nas redes sociais. É muito triste concluirmos que os atuais vereadores, não seguem a trilha de honradez deixada pelo Dr Rodrigo Maia.
Nota Final. Chega.
O que se vê hoje em Passos é repugnante. Vereadores que se acomodaram na mordomia, esqueceram o povo e transformaram o mandato em privilégio pessoal. Enquanto o prefeito abandona a administração para fazer campanha permanente, deixando a cidade imunda, esburacada e doente, a Câmara deveria ser o freio. Mas nossos nobilíssimos edis preferiram ser cúmplices. Um Legislativo acomodado na mais perniciosa mordomia, usando dinheiro público para satisfazer prazeres pessoais e fingindo não ver o colapso da cidade. Vereadores foram eleitos para fiscalizar, legislar e defender o povo, não para viver em conforto enquanto a população padece.
A cidade está enojada. Revoltada. Cansada de fanfarronice, desperdício e irresponsabilidade. E é preciso dizer com todas as letras: a única coisa que mete medo em político fanfarrão é a mobilização popular. Chegou a hora de Passos se levantar, exigir respeito e dar um basta. O voto não concede licença para o abuso, irresponsabilidade e nem autorização para dilapidar o dinheiro público. Quem foi escolhido para representar o povo precisa saber que também pode ser cobrado, enfrentado e rejeitado. A paciência acabou.





