Assistência social em colapso em Passos
O Diário Não Oficial da Política
Entre denúncias, autoritarismo e abandono, a assistência social expõe uma gestão que perdeu o controle da própria missão
Assistência social em colapso: sete anos de promessas e nenhuma entrega
No sétimo ano da gestão Diego Oliveira, a assistência social de Passos deixou de ser política pública para se tornar um problema público. O que deveria ser rede de proteção virou um sistema marcado por denúncias, omissões e ausência de resultados concretos. Abrigo, Centro Pop, CRAS e atendimento à população de rua acumulam críticas que já não podem mais ser tratadas como casos isolados, sem contar com o Centro Dia do Idoso, obra abandonada cujo reinício foi anunciado algumas vezes somente para efeito midiático porque nada aconteceu.
Infância em risco e estrutura em ruínas
O abrigo municipal, que deveria proteger crianças, hoje levanta sérias preocupações. Há relatos sobre o estado emocional e físico dos acolhidos e denúncias gravíssimas, inclusive de uso de encaminhamentos como forma de castigo, algo que foge completamente da competência administrativa. Famílias acolhedoras atuam com excesso absurdo de crianças e a verba de um salário por criança carece de regulamentação, o que não é fiscalizado pelo Conselho que está completamente submisso. Enquanto isso, o abandono físico escancara o descaso: o muro do Centro Pop parece um problema sem fim e o CRAS Coimbras está depredado, Cras da Penha desmoronou e o de Santa Luzia mudou para uma casa por falta de manutenção no prédio. A política pública virou cenário de abandono.
NASF desguarnecido e consultório na rua desmontado
Bairros inteiros ficaram mais de um ano sem assistente social. Regiões estratégicas foram simplesmente deixadas de lado. Embora pertencente à Saúde existe um elo forte com a SEDAS no trabalho de rua e para improvisar uma solução, a gestão desmontou o Consultório na Rua, retirando profissionais justamente do serviço que atende a população mais vulnerável. Resultado: mais gente nas ruas, menos assistência e aumento da pressão sobre saúde e segurança.
População de rua cresce e gestão desaparece
O aumento da população em situação de rua é visível, mas a resposta da prefeitura tem sido reduzir estrutura e enfraquecer equipes. A pergunta permanece sem resposta: quem está cuidando de quem mais precisa?
SEDAS sob regime de medo
Dentro da SEDAS, o ambiente é descrito como opressor. Relatos apontam autoritarismo, perseguições e práticas incompatíveis com o serviço público. Servidores que questionam decisões estariam sendo punidos com transferências para o Abrigo e funções humilhantes. Há casos de trabalhadora obrigada a lavar roupas manualmente no abrigo e quando reclamou foi demitida sumariamente e até servidores com deficiência sendo designados para atividades incompatíveis com suas limitações. Quando a gestão humilha quem trabalha, o serviço inevitavelmente desmorona.
Assédio moral e clima de terror administrativo
Denúncias indicam exposição pública de servidores, repreensões em grupos de WhatsApp e um ambiente de medo generalizado. Sem respeito interno, não há política pública que funcione externamente.
Fuga de servidores e perda de capital humano
O ambiente tóxico já produz efeitos concretos: uma onda silenciosa de exonerações. Profissionais qualificados estão deixando o serviço público não por falta de vocação, mas por não suportarem o modelo de gestão. Perde a administração. Perde a população.
Consultoria de luxo e transparência questionável
Enquanto faltam profissionais e estrutura, sobra dinheiro para contratos questionáveis. Uma consultora contratada sem licitação já recebeu mais de R$ 200 mil em dois anos, com renovações sucessivas. Além disso, há dúvidas sobre a regularidade da empresa para emissão de certificados, o que pode comprometer a validade dos cursos ofertados. Muito custo, pouca clareza e nenhum impacto percebido.
Conselhos enfraquecidos e controle social ameaçado
Denúncias apontam tentativa de controle político sobre Conselhos Municipais, que deveriam ser independentes. O distanciamento da SEDAS em relação ao Conselho Tutelar torna mais grave a situação, enfraquecendo a proteção de crianças e adolescentes. Sem fiscalização forte, o sistema perde equilíbrio.
Nota Final
O quadro exposto na assistência social de Passos não pode mais ser tratado como uma sequência de falhas administrativas ou episódios isolados. Trata-se de um modelo de gestão que se afastou completamente de sua finalidade essencial, que é proteger, acolher e garantir dignidade a quem mais precisa. Quando crianças em situação de vulnerabilidade passam a ser motivo de preocupação dentro do próprio abrigo (que deveria ser sinônimo de cuidado), quando servidores trabalham sob medo (e não sob orientação técnica), quando estruturas físicas se deterioram (sem qualquer resposta efetiva), e quando decisões administrativas passam a priorizar conveniências internas (em vez do interesse público), o que se evidencia é um sistema que perdeu o rumo. Não é normal (nem aceitável) que profissionais qualificados deixem seus cargos por não suportarem o ambiente de trabalho. Não é razoável que serviços essenciais sejam desmontados para cobrir improvisos. Não é admissível que recursos públicos sejam direcionados a contratos questionáveis (enquanto falta o básico na ponta). E talvez o mais grave de tudo seja o silêncio. O silêncio de quem deveria explicar, corrigir e assumir responsabilidades. O silêncio que transforma problemas conhecidos em problemas tolerados. O silêncio que, na prática, legitima o que está errado. Mesmo com respostas grosseiras e sem focar no problema, o velho Jagunço virtual pelo menos tentava, no seu estilo tosco, responder alguma coisa. Agora nem isso mais.
Passos hoje enfrenta mais do que uma crise de gestão. Enfrenta uma crise de prioridades. Porque quando o poder público falha justamente com os mais vulneráveis (crianças, pessoas em situação de rua, famílias em risco), não estamos diante de um erro qualquer. Estamos diante de uma escolha. Escolha que a cidade espera que o Prefeito Maurício, se libertando das amarras pessedistas, fique definitivamente comprometido com a população.







