Antecipação de saídas e influência política marcam transição na Prefeitura
O que deveria ser uma transição coordenada para abril transformou-se em um cenário de tensões internas
O cronograma original era claro: no final de março, ao renunciar ao cargo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o prefeito Diego Oliveira entregaria a exoneração de todos os seus 15 secretários.
O objetivo seria deixar o "terreno limpo" para que seu sucessor, o vice-prefeito Maurício Silva, montasse sua própria equipe. No entanto, o plano naufragou na última semana com uma série de baixas antecipadas no núcleo duro do governo.
A surpresa maior veio da Secretaria da Fazenda. Juliano Beluomini, considerado o principal assessor de Diego Oliveira, antecipou sua saída enquanto ainda estava de férias. Em sua carta de exoneração, Beluomini pontua que sua decisão busca garantir a "lisura e a transparência" do processo de transição, mas os bastidores revelam uma realidade mais amarga.
Embora Maurício Silva tenha dado "carta branca" para sua permanência, Juliano recusou. Informações internas sugerem um racha ético: o ex-secretário não teria concordado com a postura de que "Diego faria o que fosse necessário para ser deputado". O clima azedou a ponto de servidores relatarem que o prefeito tem percorrido repartições criticando publicamente seu ex-aliado e fervoroso defensor.
CRISE NA FAZENDA
A saída de Beluomini desencadeou um efeito dominó. Na última semana, um grupo de 10 fiscais de tributos e 6 servidores da Fazenda (de um total de 42) realizou um "motim" no gabinete, protestando contra uma reforma administrativa no setor que não aceitam.
A escolha do substituto também expôs contradições na gestão, pois entre os nomes cogitados – até uma Secretária de Fazenda de uma Prefeitura da região – alguns cogitados estariam envolvidos em processos judiciais administrativos. A solução seria Luiz Alves, mais ‘acessível’ aos propósitos de Diego. Luizinho, vindo da SICTUR e que em gestões passadas ocupou cargos sem relevância, assume a pasta. Inicialmente escalado para apenas 30 dias, rumores indicam que ele pode ser efetivado, após a desistência de trazer uma indicação externa da região.
"CONSELHO DOS SETE"
Documentos oficiais confirmam que a debandada não para na Fazenda. O Decreto nº 3.407, de 24 de fevereiro de 2026, oficializou a exoneração, a pedido, de Rômulo de Oliveira Fraga do cargo de Procurador Geral Adjunto. Rômulo, que era o elo de Cássio Soares na prefeitura desde gestões anteriores, estaria migrando para um novo cargo na assessoria jurídica da Câmara Municipal.
De acordo com vereadores que preferiram o anonimato, as mudanças na Prefeitura e no Legislativo estão sendo coordenadas pelo deputado Cássio Soares, que montou um "conselho" integrado por sete pessoas — incluindo membros da Mesa da Câmara — e estaria votando sobre nomeações e demissões. Esse grupo já teria influenciado a nomeação de novos gestores na Casa Legislativa, com salários que chegam a R$ 15 mil e que vão desde a assessoria jurídica até a assessoria de imprensa.
Com a posse de Maurício Silva se aproximando, a lista de "não reconduzidos" cresce. Além de Beluomini e Rômulo Fraga, nomes como Clélia Rosa, Rosa Cardoso Beraldo, Frederico Ozanan e Roseli Grilo são dados como certos fora da nova administração a partir de abril.
O cenário atual em Passos é de incerteza. Enquanto Diego Oliveira foca na pré-candidatura em dobradinha com Cássio Soares, o futuro prefeito Maurício Silva herda uma máquina pública em ebulição e sob forte influência externa por causa das eleições deste ano.







