Ano novo, velhos problemas

O Diário Não Oficial da Política

Jan 6, 2026 - 06:15
Jan 5, 2026 - 20:17
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Ano novo, velhos problemas
Na porta de entrada da cidade, a Rodoviária, Passos recebe o ano novo com um velho problema: o lixo na rua (Foto: Reprodução Redes Sociais)

A cidade suja, seca e governada por bravatas

 

Réveillon da Esperança… que não veio

Existe uma tradição quase universal de preparar a passagem do ano como um momento de alegria, esperança e renovação. As pessoas se reúnem com familiares e amigos, vestem branco ou amarelo, brindam, sorriem e projetam conquistas futuras. Em Passos, porém, o réveillon de 2025 para 2026 foi tudo, menos isso.

 

A cidade que virou lixeira a céu aberto

No último dia do ano, Passos reviveu uma cena já conhecida e igualmente revoltante: a completa incapacidade de realizar a coleta de lixo domiciliar urbano. Ruas tomadas por sacos acumulados, mau cheiro, urubus, insetos e animais peçonhentos deram o tom da virada.
Uma tristeza geral. Depois de episódios repetidos ao longo do ano, ninguém imaginava que a cidade chegaria literalmente imunda justamente na noite que simboliza recomeço.

 

Iluminação cara, cidade feia e insalubre

O contraste foi cruel. Enquanto a Prefeitura gastava valores absurdos e inaceitáveis com iluminação de fim de ano, a cidade se tornava feia, fétida e insalubre. O enfeite brilhou. O básico faltou.

 

A postagem salvadora

Diante do caos, Sua Excelência, o Excelentíssimo Senhor Doutor Prefeito Diego Rodrigo de Oliveira, surgiu nas redes sociais anunciando uma “solução”: formar uma força-tarefa com apoio da APAC, utilizando mão de obra de recuperandos para fazer a coleta, mesmo existindo empresa legalmente contratada para o serviço.

 

Aplaudem o improviso, silenciam o contrato

A publicação gerou aplausos de aliados, dos ‘credenciados’, daqueles com familiares pendurados nas tetas e até agradecimentos ao MP e ao Judiciário.
Mas o essencial ficou de fora: O que, exatamente, aconteceu com a empresa contratada? Por que o serviço não foi prestado? Houve aplicação de penalidades contratuais? Houve advertência, multa ou rescisão? Nada foi explicado. Como de costume.

 

Transparência zero, capitalização máxima

Ficou patente mais uma vez a falta absurda de transparência no diálogo com a população.
Tentando capitalizar politicamente a crise, o prefeito preferiu posar de solucionador a cumprir o dever básico de informar o que falhou na execução contratual e por que a fiscalização municipal, sob sua responsabilidade, não funcionou mais uma vez.

 

Denúncias ignoradas

Circulam nas redes sociais denúncias graves de que a empresa contratada adotaria tratamento desumano com trabalhadores passenses. A fiscalização do contrato tem o dever de verificar problemas dessa ordem e a população merece saber se isso é verdade. Mas não. O silêncio segue sendo a política oficial.

 

Salvador de problema que ele criou

Em vez de assumir falhas de gestão e fiscalização, Sua Excelência prefere desviar o foco, vendendo-se como salvador da pátria de um problema que nasce da incompetência administrativa da própria equipe, apresentando uma solução de remendar o serviço contratado duplicando os custos.

 

Guarda Municipal: de protetora a arrecadadora

Enquanto isso, outra constatação amarga fecha o ano: a Guarda Municipal, que custa caro ao município, consolidou-se como agente da indústria da multa e escolta de “otoridades”. Essa constatação se comprova quando as Casas do programa Minha Casa Minha Vida, patrimônio público em construção, foram invadidas e depredadas. E a GCM? Provavelmente multando em alguma esquina, fazendo ponto em praça pública ou garantindo segurança de luxo na porta da Câmara ou da SEDEST, suas freguesas assíduas.

 

Réveillon sem água: o novo normal

Como se não bastasse, grande parte da cidade passou o réveillon sem água nas torneiras.
Algo que se repete com uma frequência “nunca vista na história de Passos”.

Curiosamente, até prefeitos que hoje são chamados de “piores” que o Dr Diego pelos aduladores profissionais do governo atual, mantinham o SAAE em condições técnicas melhores e sem jamais transformá-lo em cabide de empregos.

 

A explicação da esgotosfera

No auge da confusão, surge a conhecida habitante da esgotosfera, também chamada de veinha do Facebook, estranhamente assumindo a função de porta voz mequetrefe para “explicar” o ocorrido. Versão que foi desmentida pelo próprio SAAE.  Afinal, o que faltou?  Foi uma adutora da Penha “difícil de achar” como assessoria informal avisou? Foi a captação do Rio Grande que pifou novamente na versão do SAAE?

Ninguém sabe. Ninguém explica. Ninguém assume.

 

O prefeito-vidente

Como cereja do bolo, o meticuloso Observador da cena política passense registrou que Sua Excelência abandonou os vídeos circenses e partiu para os exotéricos: fantasiou-se de vidente e anunciou os números da Megasena com os quais sonhara. Talvez o doutor-prefeito tenha esquecido que a chance de acertar números no “chutômetro” é de uma em mais de 50 milhões, o que inviabiliza qualquer carreira mística. Resultado: acertou um único número.

E o burlesco Observador apresenta o Balanço do réveillon: Passos entrou no novo ano: Sem coleta de lixo, sem água e sem banho e sem Megasena. Completo.

 

Nota Final – Obrigações não se adivinham

O Poder Público não foi eleito para adivinhar números, gravar vídeos performáticos ou improvisar soluções de emergência para problemas crônicos. Foi eleito para planejar, fiscalizar contratos, garantir serviços essenciais e respeitar a população. Cidade limpa e água nas torneiras não são sorte, milagre ou favor, são obrigações legais. Enquanto o prefeito se arvora a vidente, Passos segue refém da falta absoluta de Planejamento, desorganização, da omissão e da propaganda vazia.

Quem sabe, após mais 50 milhões de bravatas, o Excelentíssimo finalmente acerte o óbvio.