Adaptação de "O Morro dos Ventos Uivantes" está no Roxy
Baseado no romance clássico de Emily Brontë, o longa acompanha o Sr. Earnshaw, que encontra um órfão nas ruas e decide adotá-lo, levando-o para o sombriamente isolado Morro dos Ventos Uivantes
Como se sabe, o romance O Morro dos Ventos Uivantes influenciou Stephenie Meyer a escrever Crepúsculo, que, por sua vez, influenciou EL James a escrever 50 Tons de Cinza que, agora, influencia uma nova adaptação cinematográfica do romance de Emily Brontë, e pode, finalmente, fechar o ciclo, e acabar com essa febre de fanfiction. Ou não.
Intitulado “O Morro dos Ventos Uivantes”, com essas aspas pós-modernosas, o filme escrito e dirigido por Emerald Fennell é uma fantasia adolescente colorida e equivocada que deixa de lado os elementos mais pungentes do livro 1847, trocando tensões de classes e raça por sadomasoquismo e vinil. É divertido? Não. É ofensivo? Menos ainda. É só tolo mesmo.
Cathy (Margot Robbie), desde criança (Charlotte Mellington) é uma sádica. O filme abre com ela e a pequena Neely (Vy Nguyen) assistindo a um enforcamento em praça pública, no qual, ela e todo o público ao redor sentem prazer com o sofrimento e a morte. Talvez não seja de se estranhar que ela só vá ver Heathcliff (Owen Cooper, na adolescência, e Jacob Elordi) como fonte de prazer depois que ele é açoitado pelo pai dela (Martin Clunes).
As origens dele sempre foram complexas. Possivelmente descendente de ciganos, é dado como uma figura exótica nessa sociedade que dificulta sua mobilidade social, que só chega por meio da vingança. Bem, Fennell, oriunda da elite britânica, nunca teve muito tato com o tema da ascensão social – haja vista o que ela tem a dizer sobre o assunto em Saltburn – e não seria aqui que, embranquecendo Heathcliff, iria pensar nas complexidades do tema. Mas Brontë pensou e Andrea Arnold, na sua excelente adaptação de 2011, também.
O que o “O Morro dos Ventos Uivantes” se revela, no fim, é uma releitura ingênua que desvia dos assuntos mais complicados do romance – o filme joga fora toda a parte envolvendo a segunda geração – para se concentrar num romance enfadonho de gente molhada de chuva ou suor, com trilha de Charli XCX para dialogar com o público jovem.
Ao longo de sua curta carreira – que inclui também Bela Vingança, que lhe rendeu um Oscar de roteiro original, e atuação em Barbie –, Fennell tem sido chamada de transgressora. Esse é o tipo de transgressões da era das redes sociais, destituída de sutileza e embalada no óbvio que resulte em pequenos vídeos a serem compartilhados. Em 1978, em uma música e um clipe de menos de minutos, inspirados em O Morro dos Ventos Uivantes, a cantora britânica Kate Bush fez mais arte e mais transgressão do que os 136 minutos desse filme. (Alysson Oliveira/Cine Web)
"O MORRO DOS VENTOS UIVANTES" (Wuthering Heights). EUA/Inglaterra, 2026. Gênero: Romance , Drama. Duração: 134 minutos. Classificação: 16 anos. Direção: Emerald Fennell. Elenco: Margot Robbie , Jacob Elordi , Hong Chau. Cine Roxy, 19h30.







